sexta-feira, 6 março, 2026
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Ideal da magreza é retomado com força!

A ditadura da beleza não dá tréguas. Novamente, vemos a exaltação de corpos extremamente magros, com ossos à mostra, como sinônimo de beleza, sucesso e disciplina. Um padrão estético que parecia ter sido superado é retomado e, por trás dessa aparência moderna, esconde-se um velho perigo, o da valorização da magreza a qualquer custo.

Nesse contexto, estão as canetas emagrecedoras, que passaram a ser usadas indiscriminadamente, mesmo sem prescrição médica. A facilidade na aquisição do fármaco é uma das respostas para o uso desregrado. É possível comprar pela internet ou dar aquele pulinho no país vizinho, onde nas ruas, vendedores trazem à mão.

Normalmente, esses fármacos são frequentemente apresentados como um caminho para alcançar rapidamente um corpo mais magro, sem considerar seus efeitos colaterais e riscos.

Se a saúde foi uma prioridade, com a busca por um corpo funcional, forte e capaz de manter a qualidade de vida, agora estamos vivendo a busca por um corpo que caiba no padrão estético. É uma inversão do conceito de saúde. O que importa é o número ideal da balança e da calça em detrimento do bem-estar e saúde mental. É um movimento muito arriscado.

A valorização da magreza é um processo que alimenta a comparação constante com as outras pessoas, aumenta a insatisfação corporal e alimenta ainda o sentimento de inadequação. As pessoas que não se encaixam no padrão de magro passam a sentir vergonha do próprio corpo, evitam situações sociais para não serem observadas e, na maioria dos casos, a ansiedade e sentimentos depressivos estão presentes.

Com adolescentes e jovens adultos, o impacto é ainda maior, uma vez que a identidade e a autoestima estão em formação.

O uso de medicamentos para emagrecer sem acompanhamento médico também pode intensificar quadros de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Em vez de promover uma relação saudável com o corpo e a comida, reforça-se a ideia de que comer é um erro e o corpo precisa ser controlado, punido ou reduzido.

Em casos mais extremos, estão as pessoas cujo corpo se torna o principal projeto de vida e as outras dimensões como as relações, trabalho, prazer e espiritualidade ficam relegadas a segundo plano. A pessoa passa a viver em função de números, medidas e privações, em um ciclo de autocobrança que nunca termina.

Buscar saúde é diferente de buscar magreza. Saúde envolve sono, alimentação equilibrada, movimento, vínculos, descanso, prazer e cuidado emocional. Um corpo saudável pode ter muitos tamanhos e formas.

O ideal da magreza é cruel. Por isso, a máxima “equilíbrio é bom” cabe perfeitamente nesse caso. O mundo já está marcado por excesso de cobrança e escassez de acolhimento, precisamos inadiavelmente resgatar a ideia de que o corpo é nossa morada e, portanto, dar a devida atenção. A saúde mental é uma aliada da saúde física.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e Mestre em Promoção da Saúde.

Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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