No dia a dia percebemos que existem duas mentiras ridículas praticadas por pessoas de línguas compridas, que não conseguem parar de cochichar uma no ouvido do seu próximo. Praticam atos que chamamos de fofoca e outras vezes rotulamos como fuxico. São quase iguais, mas têm de tomar cuidado… Por que cuidado?
Porque quem exagera nas fofocas e nos fuxicos podem ser chamados de produtores de mentiras e perigosas.
Linguagem positiva
O que pode haver de melhor do que a linguagem? É a língua que une os povos, que aproxima as pessoas. Se não houvesse a língua, como a gente ia se entender? Sem a linguagem como é que os poetas iam escrever seus versos? O que é que os escritores iam fazer com as suas ideias? Com a língua ensinamos, rezamos, explicamos, cantamos, descrevemos o mundo à nossa volta, elogiamos e demonstramos as nossas experiências.
Linguagem negativa
A linguagem negativa é o que há de pior neste mundo. Porque ela divide a humanidade, que separa os povos. É a linguagem que usam os maus políticos quando querem nos enganar com suas falsas promessas. É a linguagem que usam os vigaristas quando querem trapacear. É a linguagem dos que mentem, que enganam, que exploram, que blasfemam, que insultam, que xingam, que bajulam, que caluniam, que vendem, que seduzem, que corrompem. Com a língua, dizemos “maldito”, “canalha”, “ódio”.
Língua devastadora
A língua, este aparente e inofensivo órgão do corpo humano, pode destruir a honra de alguém ou a sua carreira profissional. Traiçoeiramente pode ferir a integridade do próximo e maldosamente revelar os segredos de alguém. Ela pode distorcer palavras tornando-as perigosas, e se prestar para a bajulação, a mentira e a ofensa. A língua pode se tornar a mais perigosa e violenta das armas. As suas lesões não aparecem no corpo, mas deixam marcas irreparáveis na alma e no espírito de suas vítimas.
Mas este mesmo órgão também pode ser um excelente instrumento quando usado para bons propósitos. Ele pode levar consolo, conforto e conselho a quem estiver em qualquer dificuldade.
O apóstolo Tiago diz que “de uma só boca procede bênção e maldição”. Mas isto não convém que seja assim. A nossa boca muito bem pode ser usada em benefício do próximo. O mundo já está cheio de violência e maldade.
Violência e agressão era tudo o que percebiam. Em consequência, com uma lógica literária ingênua, prepararam-se para ver a violência inundar o mundo. Como alternativa, atribuíam os crimes às estórias em quadrinhos. O mais retardado dos condenados logo aprendia a resmungar: “Fiquei assim por causa das estórias em quadrinhos”.
Língua – veneno mortal
Um provérbio árabe diz: “Cura-se a ferida que uma espada faz; mas é incurável a ferida que faz uma língua.” Talvez você já tenha experimentado quão dolorosas são as flechas disparadas por uma língua maliciosa que espalha mentiras e calúnias. Num dos Dez Mandamentos Deus proíbe o falso testemunho e “todo o falar e pensar contra o próximo que provenha dum coração malvado, como por exemplo mentir, trair, caluniar e difamar”, como diz o “Catecismo Menor” de Martinho Lutero. A não observação deste Mandamento tem trazido muita perturbação e desgosto para as vítimas atingidas pelo mau uso da língua. O apóstolo Tiago diz que a língua é má e cheia de veneno mortal. Ele se refere naturalmente à língua daqueles que ainda não são dirigidos e orientados pelo Espírito de Jesus Cristo. Com Cristo purificam-se os sentimentos as intenções, os desejos e a vontade. Nele temos Vida nova. Então também a língua deixa de ser uma arma mortífera e passa a ser um instrumento eficiente na transmissão da verdade da justiça e do amor. Acontece então o que o apóstolo Paulo recomenda na sua Carta aos Efésios, capítulo 4. versículo 25: “Deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” Como você tem usado a sua língua? Você não sabe refreá-la, controlar os seus disparos envenenados de más Intenções e falsidade?
Língua – espada ou medicina?
Ferir e sarar! As duas coisas podem ser feitas com as palavras que pronunciamos. Ferimos quando mentimos, provocamos, debochamos e maldizemos. Nestes casos a nossa língua é como ponta de espada que machuca e mata. E como podemos sarar com a língua? Responde o nosso texto:
“A língua dos sábios é medicina”! Sábio é aquele que, orientado pelo esclarecimento, sabe usar corretamente o tempo, o dinheiro, as mãos, os pés, a cabeça, e também a língua. O sábio não é tagarela, mexeriqueiro, falso, difamador. A sua língua não é usada para ofender ou magoar o próximo espalhando fofocas e calúnias. O sábio sabe aconselhar, consolar, corrigir, defender a justiça, a verdade e o direito. Isto está de acordo com a recomendação do apóstolo Paulo na sua Carta aos Efésios. capítulo 4. versículo 29: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe (suja. desonesta), e sim. unicamente a que for boa para a edificação, e assim transmita graça (bênção) aos que ouvem.”
* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história –ex professor da UNIPAR/UNIVEL e CETSOP. Professor da Rede Estadual de Educação.



