sexta-feira, 6 março, 2026
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Mudou o calendário, mas não mudou o interior das pessoas

E o SENHOR continuou dizendo: “Tenho observado este povo, e eis que ele é povo teimoso. Deuteronômio 9:13.

“Cabeça de dura cerviz”é uma expressão bíblica e figurada para descrever pessoas teimosas, obstinadas e resistentes a ouvir ou obedecer, simbolizando alguém que não baixa a cabeça para reconhecer a verdade ou a autoridade, mantendo-se inflexível e orgulhoso, com a nuca (cerviz) rígida como ferro ou bronze, impedindo a submissão.

Uma “cabeça dura cerviz”; é alguém que tem um “pescoço duro”, não se dobra, não se humilha e é resistente à mudança e à autoridade, sejam elas divinas ou humanas.

Nesta semana do novo ano ouvi uma mensagem em que articulista comentava de que as pessoas estão preocupadas com a virada do ano. Na expectativa para ouvir fogos, sair com roupa nova, festa, contagem regressiva. Diante de todas estas preocupações surgem uma pergunta sincera – O que adianta entrar no ano novo se não entrarmos no novo eu? De que adianta entrarmos no ano novo, mas continuarmos os mesmos por dentro?

Roupa nova no corpo, mentalidade velha na cabeça, relógio caro no braço, mas completamente fora do tempo. Novo ano não significa novo eu. Amigos e amigas Virada no calendário não garante virada na vida. Era comum ouvirmos de norte a sul a frase – Ah, mas eu quero a virada. Virada de quê? Nós passamos pela virada, mas não permitimos que haja uma virada dentro de nossa consciência. Existem muitos que tem obsessão por data. Ano não muda ninguém. Sabemos que o que muda é quando nós decidimos girar a primeira chave dentro do coração e na mente.

Muda-se o calendário e no entanto as pessoas continuam as mesmas e com os mesmos erros. “Cabeça dura cerviz” expressa uma visão cínica sobre a passagem do tempo e a natureza humana. Embora o calendário mude, marcando o passar dos anos, as ações e os erros das pessoas muitas vezes persistem, sugerindo que a mudança real não é automática com a mudança do calendário, mas depende de um esforço consciente de transformação individual.

A mera mudança de data em um calendário não garante uma mudança de comportamento ou padrões de pensamento. As pessoas podem repetir os mesmos erros, tomar decisões semelhantes e manter hábitos prejudiciais, mesmo após a virada de um novo ano ou o início de um novo ciclo.

Entretanto, mudar não significa esperar por um novo ano. A verdadeira transformação acontece quando somos capazes de olhar para o presente e assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Mudanças de comportamento e atitudes exigem disciplina, autocrítica e, principalmente, o entendimento de que o processo de evolução pessoal é constante e não depende de datas ou marcos temporais. O calendário é apenas um reflexo da passagem do tempo, não uma chave para mudanças internas.

Portanto, o maior erro que cometemos ao longo de cada ano não é a falta de boas intenções ou o desejo de mudança. O erro está em acreditar que uma nova data no calendário é suficiente para transformar o que está dentro de nós. Só podemos realmente mudar quando decidimos que somos capazes de aprender com nossos erros passados e estamos dispostos a investir o tempo necessário para evoluir. A mudança verdadeira é aquela que ocorre não quando viramos o ano, mas quando decidimos que não queremos mais repetir os mesmos erros do passado, independentemente de que data seja. O tempo é um ciclo, mas a mudança deve ser uma constante.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.

Professor da Rede Estadual de Educação

pardinhorama@gmail.com

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