sexta-feira, 6 março, 2026
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Por Clóvis

Adeus Verdão!

A Prefeitura adquiriu as instalações e terreno do Verde Vale Clube para transformar o local num espaço que vai atender o serviço social, reunindo educação, cultura, esportes e outros atendimentos à crianças e adultos. Achei uma maravilha! É o fim de um empreendimento que já foi a coqueluche, também conhecido como “bicho da goiaba” da cidade, mas que vinha “mar das pernas” há muitos anos.

A high society

O Verdão nasceu nas mãos da alta sociedade, congregando endinheirados e os que fingiam ter dinheiro. Nunca, nos seus bons tempos, foi um clube popular. Esse papel de povão quem fazia era o Clube Japonês e Sociedade Santa Rita. Nos tempos de ouro, tudo o que era chic acontecia no Verde. Bailes, jantares de gala, shows de artistas famosos e casamentos de noivos da ‘soja soçaite’ e grandes comerciantes aconteciam lá. Era a pista de dança dos bailes do município, sempre cheios de pompas e puxa-sacos. Também serviu algumas vezes para a contagem de votos de eleições. O Verde foi palco de sorrisos e gargalhadas de muitos candidatos vitoriosos e cenário de choros daqueles que perderam depois de sonhar com o poder e ver a viola em caco com as derrotas.

Podre de chic

O Verde foi sinônimo de “chiquesa” por muito tempo. Lá passaram as melhores bandas da época, como Banda Metrô, Três do Rio, Casa das Máquinas, e cantores consagrados. Até as antigas brincadeiras dançantes do Verdão eram consideradas melhores. Cansei de ouvir gente dizer que no Verde não ia gentalha. Não sei o que queriam dizer, mas acho que eu me incluía nessa categoria, pois eu nunca tinha dinheiro para as entradas. Não vou esquecer que vi, com dois amigos ‘duros’ iguais a mim, o cantor Paulo Sérgio cantando ‘Fujo de Mim’ por uma fresta de uma das janelas do clube, até o guarda nos convidar para ir sair.

Tudo retratado

A coisa era tão “chic no úrtimo” que, em todas as promoções, os fotos da cidade enviavam seus fotógrafos, que gostavam de ser chamados de repórteres. Bailes de gala ou matinês dançantes eram reportados, casal por casal dançando ou sentados nas mesas. Nas segundas-feiras, os fotos tinham uma amostra das fotos reveladas em miniaturas para serem escolhidas pelos fotografados. Muita gente fazia poses, torcendo para estar na coluna da Marlete no jornal ‘O Regional’ de sábado. O carnaval do Verde era esperado como os desfiles da Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro. Tinha até concurso de fantasias.

Escondido era bem melhor

Conheci muitas mocinhas que fugiam pelas janelas para irem às brincadeiras dançantes do Verdão escondidas dos pais. Na semana seguinte corriam nos fotos para pedir que retirassem das amostras as fotos em que apareciam. O irmão ‘dedo-duro’ de uma dessas contou ao pai o que irmã fizera. Coitada da guria! Levou uma surra de mijar nas calças.

Nem tudo era dança

O Verde também reuniu ao longo de muitos anos esportistas e atletas em suas quadras de futebol, tênis e outros jogos. Foi até sede de time que disputou campeonatos estadual. Por muitos anos cumpriu um papel social muito importante na sociedade, como clube e como instalação de eventos sociais à outras entidades e particulares.

Novos ares

Nada dura para sempre e com o Verde Vale Clube não seria diferente. Espero que, a serviço da municipalidade, o local e todas as suas instalações continuem a servir a sociedade, que agora pode fazer com que esses serviços atendam a todas as classes sociais, independente de serem chiques ou não.

O Verdão chega ao fim de um ciclo, mas jamais irá morrer enquanto existir quem o mantenha na memória. Muitos irão dizer que foi bom enquanto durou. Para mim, acho que será melhor a partir de agora.

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