Alô Capixa!
Esta semana encontrei meu amigo Paulo Roberto Lucindo Rodrigues, o Capixaba do Banco do Brasil. Memórias do tempo do êpa foram o destaque da nossa conversa. É sempre muito bom poder afastar teias de aranhas e assoprar o pó das lembranças. Duas cabeças lembram melhor que uma. Abraço, Capixaba!
Lembra do Ginásio Galinheiro?
Ginásio Pó de Serra, Galinheiro e outros tantos nomes. Assim os ginasianos dos anos de 1970 chamavam o colégio onde estudavam, o que hoje equivale ao segundo grau. Eram sete salas de aula construídas de pré-montados, onde uma estrutura de coluna e vigas de alumínio sustentavam chapas de aglomerado, um material prensado com sobras de fiapos de madeira. Quem não conheceu é capaz de duvidar que esse complexo educacional existiu mesmo em Assis Chateaubriand, no local onde hoje está o Colégio Chateaubriandense.
Casas de bonecas
A cobertura era de folhas de zinco e o forro de prensado de papelão. Pareciam casinhas de bonecas gigantes. Quando chovia, o barulho da água caindo no zinco era assustador. Ainda mais que as janelas em vidros eram enormes, facilitando ver a escuridão e os raios dos temporais.
Vandalismo de sempre
As finas paredes do “pó de serra” eram um convite à malvadeza. Era assim que se chamava o vandalismo antigamente, um eufemismo que escondia a destruição do patrimônio público dia a dia. Com pontas de canetas e até mesmo com as unhas, meninos e meninas faziam buracos nas paredes, que, por não oferecerem resistência, aos poucos foram ficando como um queijo suíço, cheias de buracos, que se juntavam, tornando enormes aberturas, a ponto de, em poucos anos, restarem apenas as estruturas metálicas. Por várias vezes, os vendavais, que eram comuns naquela época, descobriam grande parte dos telhados das salas, permitindo que a chuva destruísse aos poucos o delicado forro.
O Galinheiro
Ginásio Estadual de Assis Chateaubriand, esse era o nome da escola de Segundo Grau que formou milhares de alunos durante os anos que existiu em paredes tão frágeis. A administração, a cozinha e os banheiros eram em alvenaria, junto aos pré-moldados. Embora o complexo estudantil fosse cercado por um muro, esse não impedia os encontros amorosos à noite e nos fins de semana (por isso, Galinheiro). Como não havia vigilância, era comum ter, em cada canto, um casal em ardentes encontros furtivos, na maioria adolescentes escondidos dos pais, disputando espaços com adultos que também buscavam a mesma coisa. Um colega (que já partiu dessa pra melhor) colocou a namorada sentada em posição estratégica de ataque em uma das pias do banheiro, que não aguentou o romance, derrubando a moça por cima dos cacos. Por pouco não foi uma tragédia. O tê de tamanho grande acabou por ali.
Escondido é melhor
O que favorecia os encontros de amores escondidos não era só o fato de não haver guardas no local, mas também por estar a escola em um bairro em formação, onde não havia muitas casas. O que mais tinha ao redor era mato. Local onde a molecada armava arapucas para pegar pássaros. Pó de Serra, Galinheiro, ‘Purgueiro’ e outros tantos nomes definiam a escola que durou pouco fisicamente, mas que será eterna na memória de quem por ali passou.
Você tem memórias?
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