sexta-feira, 6 março, 2026
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Por Clovis de Almeida

Muito obrigado!

Nesta semana encontrei uma senhora que disse ser fã das minhas histórias. Agradeci, como agradeço a todos que me acompanham aqui pela coluna e pelas redes sociais. Mas a história não é minha, porque história não tem dono. Sonho com o dia em que as escolas daqui vão ensinar aos alunos a história de seu município, todos os dias, como vi lá em Cáceres. Desde cedo eles aprendem a escrever e contar histórias que ouvem dos pais. Assim, a memória de um povo não morre e o amor por sua cidade se torna um escudo contra todos aqueles que usam o chão que pisam apenas para pisar.

Por falar em história

Em 1971, Assis Chateaubriand contava com apenas 5 anos de emancipação e já era o oitavo município do Estado em população. Sem falar na energia elétrica e muitos outros benefícios. Havia quase 100 escolas municipais e aproximadamente 12 mil estudantes. Já se previa 120 mil habitantes em pouco tempo. Chegou a 140 mil em 1974. No ano seguinte, a famosa geada acabou com as plantações e com as esperanças de muita gente. Foi o pingo d’água que se juntou a outros fatores que desencadearam o êxodo da população.

Era tempo de crescer

O povo se maravilhava com as obras da Prefeitura em andamento. Diversas construções públicas e privadas mostravam o franco desenvolvimento da cidade que ainda era uma criança naqueles primeiros anos da década de 70. Eram erguidos o Estádio Municipal, canchas de futebol, a fábrica de papel, o ginásio estadual, uma fábrica de tubos, asfalto no centro, armazém da Cotia, serraria da Prefeitura, Hospital do Sindicato, escolas diversas e os prédios dos Correios e da Telepar; obras que marcaram os primeiros anos da cidade que viria a ser chamada de “Morada Amiga”. Antes de completar 10 anos de emancipação a cidade recebeu a infraestrutura básica para o desenvolvimento.

Alô, quem fala?

O sistema DDD de telefonia no ano seguinte, 1975, colocou Assis Chateaubriand em contato com o Brasil e o mundo. A pavimentação asfáltica das ruas e avenidas, o abastecimento de água, a imprensa, agências de rendas, estabelecimentos bancários, cooperativas, foram elementos de vital importância para o desenvolvimento de uma cidade e, Assis Chateaubriand, ainda jovem, possuía todos estes requisitos que muitas cidades vizinhas, fundadas há mais tempo, ainda estavam pleiteando. Os telefones nas casas foram todos ligados ao mesmo tempo, soando as campainhas por toda a cidade, nas casas e nos comércios.

Caipiras maravilhados

Como éramos, na maioria, caipiras (eu ainda sou), a chegada do telefone foi um espetáculo emocionante. Naquele dia da inauguração, todos que tiveram acessos a um telefone passaram a ligar para números de uma lista que havia sido distribuída junto com a instalação do aparelho. Do outro lado da linha alguém atendia, com o coração pulsando de alegria. Do lado de cá alguém dizia: tem um carro verde em frente sua casa? “Não!”, dizia a outra pessoa.  “Então já madurou, há há há há – respondia rindo o lado de cá. Foi um dia inteiro de trote com a caipirada se divertindo.

Troca de letras

Naquela época, quem nascia aqui era chamado de Assis Chatobriense. Mas, a maioria dos comunicadores da Rádio Jornal, que surgiu em 1978, passou a definir os aqui nascidos como chatobriandense. Eu sempre fui contra e sou até hoje. O nome da cidade tem uma letra muda, o D, que não se pronuncia. A pronúncia correta é Assis Chatobriand, e não cha teau briande, como muitos dizem, inclusive até alguns políticos que deveriam aprender a falar o nome correto da cidade, afinal de contas, eles devem ser exemplos.

Genti o quê?

Assim como não se fala o D de Chateaubriand, não faz sentido dizer chatobriandense, com ênfase no D. Bobagem, é chatobriense. Isso é o gentílico,  que pode ser comprovado no site do IBGE, onde se lê que o gentílico de Assis Chateaubriand é Assis Chatobriense!

Informação errada

Mas, o site Wikipédia informa que é o gentílico é chatobriandense. Errado! O Wikipédia não é confiável porque ele é alimentado por qualquer pessoa, com ou sem nenhum compromisso com regras gramaticais, etimológicas, históricas ou qualquer fator que dê credibilidade. Tanto é que qualquer pessoa também mudar as informações lá contidas. Assim, quem escreveu chatobriandense lá seguiu a norma da maria vai com as outras. Se você verificar o site oficial da Prefeitura, na página de Dados Gerais vai confirmar que o gentílico é assis-chateaubriense, no que lemos cha tô bri en se.

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