sexta-feira, 6 março, 2026
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Saiba o que todo pai precisa saber sobre os riscos digitais

A internet abriu portas para um mundo de possibilidades, aprendizado e conexões que antes não existiam. No entanto, também trouxe muitos riscos, um deles, o de crianças e adolescentes serem aliciados por criminosos que se aproveitam da ingenuidade e da vulnerabilidade emocional desses jovens. Recentemente, a Polícia Civil de São Paulo revelou, por meio de uma operação destinada a essa problemática, o alcance assustador de pelo menos 700 vítimas de exploração sexual infantil no país, sendo mais de 300 apenas no estado de São Paulo. As vítimas sãomeninos e meninas de diferentes idades e classes sociais e, na maioria dos casos,as famílias desconheciam completamente os crimes. Esse é um ponto relevante, o total desconhecimento dos pais acerca do que os filhos estavam passando.

Por trás de tudo isso, existem organizações criminosas que praticam e comercializam pornografia infantil, promovem estupros virtuais, incitam as automutilações e até induzem ao suicídio em plataformas digitais.

A ação dos abusadores é facilitada pelo desconhecimento dos pais acerca do universo digital em que os filhos estão inseridos.

Por um lado, cada vez mais cedo as crianças têm acesso a tablets, celulares e afins. Por outro, os pais confiam na inocência dos filhos. A questão é que a inocência é a porta aberta que os abusadores encontram. Pais, vocês não podem ser inocentes. Os abusadores se disfarçam de amigos, colegas de idade semelhante ou até influenciadores. Com conversas aparentemente inofensivas, passam a explorar fragilidades emocionais, conquistam a confiança do seu filho e, aos poucos, o levam a comportamentos autodestrutivos, como a automutilação, ou ao compartilhamento de conteúdo íntimo, tornando-o refém do medo, da culpa e da vergonha.

A proteção vai muito além de instalar aplicativos de controle, é preciso estar presente na rotina digital dos filhos, acompanhar com quem conversam, que jogos e redes utilizam e, principalmente, construir uma relação de diálogo e confiança. O jovem que se sente ouvido e acolhido tende a relatar situações suspeitas antes que se tornem graves.

Também é importante que os adultos observem mudanças sutis no comportamento como isolamento, tristeza, irritabilidade, insônia ou uso excessivo da internet, especialmente em horários noturnos. Pequenos sinais podem ser alertas de sofrimento e de manipulação online. O apoio emocional e a supervisão constante são barreiras poderosas contra quem tenta se aproveitar da inocência e da carência afetiva de crianças e adolescentes.

Apresença e o vínculo afetivo dos pais continuam sendo o melhor escudo contra a manipulação e a violência digital.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e Mestre e Promoção da Saúde. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini

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