sexta-feira, 6 março, 2026
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Por Clovis de Almeida

As ruínas que a cidade esqueceu

Essa semana passei pela estrada velha do Carajá, cruzando o Rio Alívio. Me lembrei que foi por aquelas imediações que os picadeiros descansaram, vindos de Nova Aurora, quando rumavam abrindo picadas para abrir clareiras e iniciar o povoado que mais tarde seria Assis Chateaubriand. No mesmo lugar, anos mais tarde haveria uma fábrica de papel, cujas ampliações em concreto morreram antes da conclusão. Está lá nas margens do Alívio, há 50 anos, as ruínas que a cidade esqueceu.

Um túnel de 100 metros

Trata-se de um túnel de 100 metros de comprimento, erguido em concreto armado, hoje coberto pela vegetação. Há ainda um solitário paredão, também de concreto, com aproximadamente 60 metros de comprimento. Se as obras chegassem ao término, o muro seria a barragem de um grande lago que abasteceria uma fábrica de celulose para a fabricação de papel e o túnel seria a base das máquinas, do que poderia ser uma grande indústria. Falou-se também que as águas da represa que seria formada no local poderiam funcionar uma usina hidrelétrica.

Toneladas de concreto e ferro

Não é preciso ser engenheiro ou pedreiro para imaginar a grande quantidade de cimento, pedra, areia e ferro, usados no que hoje são só ruínas. As paredes do túnel e do paredão medem 42 centímetros de espessura, laterais e teto. A altura mede 2 metros e meio, mesma medida da largura. Há também concreto no piso, em toda a extensão. Os ferros, de grandes bitolas, estão trançados por toda a construção, que ultrapassa a 900 metros quadrados de alvenaria bem feita. Em uma das extremidades, o túnel possui uma elevação que lembra uma enorme caixa d’água, acompanhada de duas torres, também de concreto. É possível andar no teto, onde a vegetação se mistura com o piso de cimento.

Apoio do município O pioneiro Massachiro Mori, que foi vereador e presidente da Câmara de Assis Chateaubriand por três legislaturas, me contou certa vez que o município fez a doação, com aprovação da Câmara, de dois terrenos, que juntos somavam sete alqueires, para a construção da fábrica de papel nas margens do Rio Alívio, na estrada para o Carajá, há três km do centro da cidade. Disse ainda que a fábrica chegou a produzir algumas bobinas de celulose e logo depois

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