Já diz o ditado, tudo que é em excesso, faz mal. Com as telas, não é diferente. Apesar de ser indispensável para a vida moderna, usado tanto para o uso pessoal como profissional, o uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisores vem alterando não apenas nossos hábitos, mas também nossa forma de sentir, pensar e nos relacionar. Do ponto de vista psicológico, o excesso de telas está intimamente ligado ao aumento de sintomas de ansiedade, depressão, insônia e dificuldades de concentração.
O cérebro humano não foi projetado para lidar com o bombardeio constante de estímulos visuais e informações rápidas. As redes sociais, por exemplo, alimentam uma comparação incessante com os outros, gerando sentimentos de inadequação e baixa autoestima. No caso do uso prolongado de telas antes de dormir, esse hábito interfere na produção do hormônio do sono, a melatonina, prejudicando o descanso adequado. O resultado é sentido no dia seguinte, indisposição e mau humor que afeta o dia todo.
Entre as crianças e adolescentes, o problema se agrava, quanto mais tempo diante das telas, menor o envolvimento em brincadeiras reais, na convivência familiar e nas interações presenciais. Essa redução do contato humano fragiliza o desenvolvimento emocional e social, dificultando a aprendizagem da empatia, da paciência e da tolerância à frustração.
Para os adultos, o risco está na desconexão emocional. Muitas vezes, busca-se nas redes um refúgio contra o estresse, mas o resultado é o contrário, você acaba mantendo a mente acelerada, com sobrecarga de informações, que na maioria das vezes impactam negativamente sobre seus pensamentos e sentimentos. Aquele ócio, o tempo para não fazer simplesmente nada é ocupado com esse excesso de informações e imagens, o que te mantém ligado.
É importante desenvolvermos o equilíbrio digital. Sem percebermos, estamos no extremo, no excesso. Estabelecer pausas, limitar horários de uso e resgatar pequenas atitudes que alimentam o bem-estar são passos simples, mas poderosos. Caminhar ao ar livre, ler um livro impresso, cultivar uma planta, brincar com os filhos, conversar sem pressa, cozinhar, ouvir música ou simplesmente observar o pôr do sol são hábitos que reconectam com o tempo real e com o prazer da presença.
Criar bons pequenos hábitos como deixar o celular fora do quarto à noite, fazer refeições sem o uso de telas e reservar momentos de silêncio ajuda a mente a desacelerar e favorece o equilíbrio emocional.
Em um mundo cada vez mais mediado por telas, o desafio é reaprender a estar com as pessoas e consigo mesmo, verdadeiramente, ou seja, presente.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.
Atende crianças e adultos na Clínica Bambini.



