sexta-feira, 6 março, 2026
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Criança feliz é criança que brinca

A infância é um tempo que voa e não volta. Além de tudo, tem grande impacto na formação da personalidade e no equilíbrio emocional. É uma fase de descobertas, curiosidade, encanto e imaginação.

Crianças valorizam a companhia dos pais, dos avós e dos amigos e o brincar, principalmente o espontâneo e livre. No entanto, o que deveria ser um tempo de brincadeiras, risadas e convivência tem sido substituído cada vez mais por telas, tanto das crianças quanto dos adultos. Tablets, celulares e televisores ocupam o espaço que antes era preenchido por conversas, jogos, histórias e olhares atentos.

Brincar é mais do que passatempo, é o modo como a criança aprende sobre si mesma e sobre o mundo. Quando brinca livremente, ela experimenta, cria, inventa soluções, desenvolve a linguagem, a empatia e a capacidade de se relacionar. É na convivência com outras crianças que surgem as trocas mais ricas: dividir brinquedos, enfrentar frustrações, negociar regras e celebrar conquistas. Tudo isso faz parte de um aprendizado emocional e social que nenhuma tela é capaz de oferecer.

Mas a infância também precisa da presença dos adultos. E presença não é estar por perto fisicamente, mas inteiramente. Também não é só com a dedicação aos cuidados básicos como sono, alimentação e higiene. Eles devem estar presentes, mas não é somente isso que fará diferença na vida dos pequenos. Fará diferença a convivência, a qualidade da convivência, aliada ao afeto. Faz toda a diferença a criança se sentir amada pelos pais. Sentir que os pais são o porto seguro.

As crianças percebem quando o do adulto está dividido entre ela e o celular. É nesse desencontro silencioso que surgem lacunas de afeto e atenção que nem os melhores presentes conseguem preencher.

Por isso, dedicar tempo de qualidade, ouvir com atenção, brincar junto, rir e criar memórias afetivas são essenciais.

Talvez seja o momento de revisar a sua dinâmica de convívio com os filhos, desacelerar o uso excessivo das telas e redescobrir o prazer do convívio real. Uma caminhada, um jogo de tabuleiro, uma conversa sem pressa ou um simples “como foi seu dia?” Podem transformar o vínculo entre pais e filhos. O tempo que se dedica com amor e presença é o maior investimento que se pode fazer no futuro emocional de uma criança.

Cuidar da infância é cuidar do adulto que essa criança se tornará. Que possamos desligar um pouco o mundo digital para nos conectar com o que realmente importa: o afeto, o olhar, o toque e o tempo compartilhado. As boas lembranças são feiras desses momentos.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga e mestre em Promoção da Saúde.

Atende crianças e adultos na Clínica Bambini.

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