sexta-feira, 6 março, 2026
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Por Clovis de Almeida

Mergulho no passado

Mergulhar no passado é como pescar num rio onde já se conhece os peixes. Mas, ao contrário do que poderia ser uma monotonia, sempre pescamos um detalhe que estava esquecido em meio às imagens principais. É o que sempre acontece quando busco memórias e as coloco no papel, ou melhor, na tela do computador ou do celular através das redes sociais.

Como reage o público

Percebo que o público maior, na maioria das minhas postagens são de pessoas que já passaram a casa dos 45 anos. Sei que é natural, pois as memórias são bem mais velhas e não poderia esperar que jovens se interessassem da mesma forma que os mais velhos. Mas é triste notar que essa garotada, com exceções, não valorizam a história. Tenho a impressão que só o que interessa é o agora. Isso é o reflexo do que aprenderam, seja em casa, seja na escola. Como já disse, há exceções, graças a Deus!

Coisas que surpreendem

Por outro lado, percebi também que alguns fatos, para minha surpresa, chamam mais atenção do que eu pensava. Como por exemplo um vídeo que fiz recentemente falando da primeira escola de Assis Chateaubriand. Uma postagem no Facebook rendeu, até agora, 74.912 visualizações, 1.800 likes, 122 comentários e 150 compartilhamentos com 3.428 engajamentos. Em se tratando de um assunto extremamente local, num município pequeno, é um resultado excelente.

Grupo Velho

Este era o nome da Escola Sagrado Coração de Jesus, um grupão de madeira construído quase à machado, na Rua Marechal Castelo Branco. Ali estudaram os primeiros alunos que para cá vieram, incluindo este que vos escreve. A menção despertou saudades em muita gente que por ali passou ou conheceu.

Detalhes que puxam a memória

Outras postagens também tem reunido interesse mais que o comum. Segue alguns deles: Quem se lembra da Relojoaria do Japonês que havia na Avenida Tupãssi, em frente a Telepar, com um bonequinho que ficava pulando o dia todo? Havia uma plaquinha na caixa de vidro onde ele ficava, com o nome dele: Chico Nó Cego! Chamava a atenção de crianças e adultos que paravam diante da vitrine para olhar o boneco.

Um buraco perigoso

E quem brincou na pista de patins e skate construída num buraco próximo onde hoje está a Casa da Cultura? Era ponto de encontro da garotada, lugar de quebrar o braço e que enchia de água de chuva. Não foi uma boa ideia e logo foi desmanchada, até mesmo porque a gurizada já nem frequentava mais.

Um tempo muito feio

Nos anos 70 e boa parte dos 80, a carne que o povo comia não vinha de frigoríficos como hoje. Os animais eram abatidos nos sítios, por colonos, ou nos dois matadouros improvisados na cidade. Ambos no meio do mato. Um nas margens da Rua dos Pioneiros, outro onde hoje é Assema, na Avenida do Bosque. Os açougueiros matavam a vaca e depois a pendurava nas árvores. Dividiam o bicho em pedaços e depois jogavam em carroças para chegar aos açougues. Iam pelas ruas como num enterro, com cães e moscas seguindo o cortejo. Só sei que era assim, eu vi.

Delivery à moda antiga

Nos anos 70 e parte dos 80 a gente contava com o padeiro, leiteiro, verdureiro e bucheiro na porta de casa, todo santo dia. Quem podia pagar por esses serviços tinha pãozinho quente, leite direto da vaca e verdura fresca. O Bucheiro vinha duas vezes por semana. Era uma carrocinha forrada em forma de caixa, com uma portinha atrás. Dentro e bem fechadinha, ele trazia linguiça, carne de boi, porco e miúdos: fígado, coração, rins, pacoera, cabeça de porco, tripa limpa, e, claro, o bucho de boi, inteiro pra freguesia! E lá ia o carroceiro pelas ruas gritando: oia o bucho, oia o bucheiro! Minha mãe só comprava fígado, e só de vez em quando. Era o mais barato. Atrás da carrocinha iam três ou quatro cães magricelas esperando um pedaço de qualquer coisa – fum fum  oia bucho!

Onde ver

https://www.facebook.com/clovisdialmeida

e no facebook: https://www.facebook.com/Moradaamiga

e-mail:  falante@hotmail.com

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