domingo, 17 maio, 2026
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Uma estrela no corredor da rádio

As grandes estrelas da música não viajam mais fazendo via sacra de rádio em rádio pelo país para divulgar seus discos. Hoje, a internet faz o serviço de mídia e distribuição das músicas em arquivos digitais. Os artistas não precisam mais sair com seus discos embaixo do braço, implorando compra ou divulgação. Somente aqueles que estão iniciando. Esses ainda precisam implorar que toquem suas músicas. Algumas rádios e locutores enfiam a faca nesses coitados, cobrando um “jabazinho”.

Porém, nos tempos sem essa maravilha da internet era quase tudo na “sola do sapato”. Era preciso ir até os locutores e diretores de rádios, mostrar o produto e implorar que tocassem suas músicas. Foi nisso que nasceu o famoso jabá, pagamento para que as rádios e televisões tocassem as músicas.

Mas, lógico que essa regra não era para todos os artistas. Os famosos não precisam fazer mais isso, a fama vendia produto e imagem pela grande mídia, que também não cobrava deles por entrevistas. Assim que conseguiam ser famosos, os artistas já deixavam a via sacra de lado e não mais distribuíam seus discos de graça. A rádio que pretendia tocar tinha que comprar. Nas capitais, o jabá continuou funcionando até para famosos (e continua), mas, no interior, as emissoras gastavam uma grana alta para comprar os discos de quem despontava nas grandes paradas.

Apesar de a fama dispensar a necessidade de ir até o interior para divulgar seus discos, alguns artistas de sucesso, já estrelas da música, do rádio e TV, continuaram a visitar o interior buscando contato com os locutores de rádio.
Foi por isso que um dia eu dei de cara com uma estrela no corredor da rádio jornal. Foi num sábado à tarde, quando já me preparava para ir embora. Havia terminado o programa Satélite Show. Saí do estúdio e o que eu vejo? O cara que na noite anterior estava no Globo de Ouro, da rede Globo, em primeiro lugar no programa que ditava os sucessos para as rádios do Brasil inteiro. Era Patrik Dimon, sucesso absoluto em todo o país com a música ‘Pigeon Without a Dove’.

Caiu meu queixo. É você mesmo, Patrick Dimon? Perguntei.

Sim, sou eu mesmo, muito prazer! Respondeu o artista, com seu forte sotaque estrangeiro.

Era 1979 e, naquela época, as rádios não misturavam sertanejo com popular. Cada um no seu quadrado.  Meu colega sertanejo, Zé Pretinho (1944 – 2022) já havia começado seu programa, onde só dava viola. Mas o Zé era um cara legal e me permitiu entrevistar o convidado ilustre no horário e até tocar um pedaço da música.

Foi então que Patrick que me contou que estava em visita ao interior do Paraná para reforçar seu sucesso e um novo disco que ele estava lançando. Entregou um disco para a rádio e outro pra mim.

Naquele tempo, recebíamos muitos artistas renomados, como Tonico e Tinoco, Milionário e Zé Rico, Dominó e muitos outros. Porém, depois que virava sucesso nacional e aparecia na Globo, os miseráveis nunca mais davam as caras e, quando viam para show, a gente tinha que implorar para que dessem entrevistas depois do show. A maioria ignorava a imprensa, como muitos fazem até hoje. Muitos insistem em aprender que tudo passa e quem é estrela hoje, amanhã pode ser só poeira. Por isso, minha surpresa ao receber a visita de Patrick Dimon quando já era um superstar da música no Brasil.

Konstantynos Kazakos, artisticamente conhecido por Patrick Dimon é um cantor e compositor grego, radicado no Brasil. Nascido na Ilha de Samos, na Grécia, Patrick Dimon passou a morar no Brasil após fazer grande sucesso com a música “Pigeon Without a Dove”, tema da novela Pai Herói (1979), da TV Globo. Apesar de só ter feito sucesso com essa música, ele continua cantando e fazendo shows. No mês julho, esteve em uma turnê pelo nordeste brasileiro.

Pigeon Without A Dove, em tradução literal é “Pombo sem uma Pomba”.  “A imagem do pombo sem a pomba expressa um sentimento profundo de incompletude e desamparo”, me contou ele naquele dia, há 46 anos!

Contato: falante@hotmail.com

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