Na edição publicada em 28 de agosto de 2025, a influente revista britânica The Economist destacou o Brasil como um exemplo de maturidade democrática para o mundo — especialmente para a América Latina — ao abordar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a manchete provocativa “O que o Brasil pode ensinar à América”, a publicação traça um paralelo entre a crise democrática nos Estados Unidos e o fortalecimento institucional brasileiro.
🇧🇷 UM JULGAMENTO EMBLEMÁTICO
O foco da reportagem é o julgamento de Bolsonaro e seus aliados, acusados de arquitetar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. A revista afirma que o processo representa um “teste importante” para democracias que enfrentam o avanço do populismo, citando os EUA, Reino Unido e Polônia como exemplos de países em risco. Bolsonaro, retratado na capa com o rosto pintado de verde e amarelo e usando um chapéu semelhante ao do “viking do Capitólio” — figura icônica da invasão ao Congresso americano em 2021 — é chamado de “Trump dos trópicos” e “polarizador”. Segundo a publicação, o golpe no Brasil “fracassou por incompetência, e não por falta de intenção”.
🏛️ STF COMO BARREIRA CONTRA O AUTORITARISMO
A The Economist elogia o papel do STF como “barreira contra o autoritarismo”, destacando sua atuação firme diante da invasão às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. A revista relembra os traumas do golpe militar de 1964 e enaltece a Constituição de 1988 como pilar da democracia brasileira. Apesar de reconhecer críticas ao poder concentrado da Corte, a publicação ressalta que, diferentemente dos Estados Unidos, a classe política brasileira — de diferentes espectros ideológicos — tem demonstrado compromisso com as regras democráticas e com reformas institucionais.
🌎 BRASIL COMO “ADULTO DEMOCRÁTICO” DO HEMISFÉRIO
Em uma inversão simbólica, a revista afirma que “o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental se deslocou para o sul”. Enquanto os EUA enfrentam retrocessos sob o governo de Donald Trump — com medidas protecionistas, autoritárias e tentativas de interferência institucional — o Brasil, mesmo sob pressão internacional, segue determinado a fortalecer sua democracia. A reportagem também menciona que governadores conservadores brasileiros, embora busquem o apoio de Bolsonaro para 2026, têm se distanciado de seu estilo político, sinalizando uma possível renovação no campo da direita nacional.
📊 OPINIÃO PÚBLICA E IMPACTO INTERNACIONAL
Pesquisas de opinião citadas pela revista indicam que a maioria dos brasileiros acredita que Bolsonaro tentou se manter no poder à força. Para a The Economist, esse reconhecimento público é um sinal de que a sociedade brasileira está vigilante e disposta a defender suas instituições. A repercussão internacional da reportagem reforça o papel do Brasil como referência democrática em um momento de instabilidade global. Ao transformar uma crise em oportunidade de reafirmação institucional, o país mostra que é possível resistir ao populismo e preservar o Estado de Direito.

‘Viking do Capitólio’ e Bolsonaro: quem é a extremista MAGA e por que Economist o comparou a ex-presidente do Brasil
Capa da revista The Economist compara Bolsonaro ao ‘Viking do Capitólio’ — Foto: Rprodução
Figura central da invasão ao Capitólio em 2021, imagem do “Viking” voltou aos holofotes após a revista The Economist comparar sua imagem à de Jair Bolsonaro, retratado como “Trump dos trópicos” às vésperas do julgamento por tentativa de golpe. De chifres, pele de urso e rosto pintado, Jake Angeli ficou conhecido como “Viking do Capitólio” ao se juntar a milhares de apoiadores de Donald Trump e invadir o Congresso dos EUA em 2021, na tentativa de barrar a vitória de Joe Biden. Sua imagem voltou aos holofotes após a The Economist comparar a cena a Jair Bolsonaro, retratado na capa da revista com adereços semelhantes, dias antes de seu julgamento por tentativa de golpe. A publicação chamou o Brasil de “lição de democracia” para os Estados Unidos.
O QUE ACONTECEU COM O ‘VIKING DO CAPITÓLIO’?
Preso e condenado a 41 meses de prisão em 2021 após um acordo judicial em setembro, Jake Angeli ou Jacob Chansley se declarou culpado e cumpriu parte da pena em solitária, segundo o El País. Dois anos depois, passou ao regime aberto em um centro de reintegração no Arizona. Em janeiro de 2025, foi perdoado por Donald Trump em um indulto coletivo que beneficiou mais de 1.500 condenados pela invasão. Ao comemorar o perdão, escreveu nas redes: “Fui perdoado, bebê. Agora vou comprar umas armas”. A frase simbolizou como a anistia reforçou grupos de extrema direita, como os Proud Boys, e aumentou o temor de fortalecimento da violência política nos EUA. Chansley também se identifica com o movimento MAGA (“Make América Great Again”), lema criado por Donald Trump e que virou bandeira de um extremismo nacionalista nos EUA.

Viking’ do Capitólio comemora perdão presidencial de Trump a invasores do 6 de janeiro em postagem na rede social X — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Ator e seguidor de teorias conspiratórias do grupo QAnon, Jake Angeli dizia que suas vestes lhe davam “forças do xamanismo”. Suas tatuagens, com símbolos nórdicos, reforçavam a imagem que fez dele uma figurinha carimbada em protestos pró-Trump. Durante a invasão ao capitólio, ele chegou a sentar-se na cadeira da presidência do Senado.
BOLSONARO COMO ‘TRUMP DOS TRÓPICOS’
Com a manchete intitulada “O que o Brasil pode ensinar para a América”, a reportagem da revista britânica The Economist ressalta que, prestes a ser julgado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro encarna a figura do “Trump dos trópicos”.

Jair Bolsonaro na capa da revista britânica ‘The Economist’ — Foto: Reprodução
As ações da família Bolsonaro nos Estados Unidos também tiveram impacto direto nas comparações bilaterais: o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, em medidas vistas como gesto de apoio ao ex-presidente. Para a publicação, enquanto os EUA perdoam e soltam extremistas, o Brasil dá sinais de maturidade democrática ao levar seu ex-presidente ao banco dos réus.
A revista ainda chama o ex-presidente brasileiro de “polarizador” e diz que Bolsonaro e “seus aliados provavelmente serão considerados culpados” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A “The Economist” ainda afirma que “o golpe fracassou por incompetência, e não por intenção”. “Isso torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”, diz a reportagem, enumerando exemplos de outros países como os EUA, Reino Unido e Polônia.



