
Quinta-feira ,(28), foi o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, todos os dias morrem, em média, 470 pessoas por causa do vício do cigarro. Outra informação interessante do INCA: Cerca de 10 milhões de pessoas jamais tiveram orientações para largar o vício de fumar. E quem quer saber disso?
Na própria pele
Fumei por 24 anos. Era bom demais! Um cafezinho e um cigarrinho. Fumei Minister, Shelton, Arizona, Continental, Derby e, claro, o famoso “Hollywood King Size Filter”, o “cigarro do sucesso”, como pregavam as lindas produções da propaganda estampada em outdoors, rádio, revistas, televisão e até no cinema. A publicidade vendia a grande mentira de que os homens de sucesso fumavam Hollywood nas reuniões das grandes indústrias, nas festinhas e nos passeios em grandes iates, sempre rodeados de lindas mulheres. Gente bem sucedida e bonita fumava.
Nunca vi nada do que a propaganda mostrava, tudo o que ganhei foi uma artéria entupida.
Ponte de safena de brinde
Após quase 25 anos fumando duas carteiras por dia, deixei o vício, de uma hora pra outra, no ano 2000. Vinte e dois anos depois tive um enfarto do miocárdio, com uma bela veia entupida que me obrigou a passar por uma cirurgia de peito aberto e coração do lado de fora da cavidade. Uma ponte de safena desviou meu caminho da morte. Segundo meu cardiologista, tudo levava a crer que a culpa do entupimento era dos cigarros que fumei por tantos anos.
Já que tá, que vá!
Eu cheguei a pensar que, se mesmo depois de 22 anos sem fumar ainda sofri os efeitos, talvez se tivesse continuado no vício tudo seria igual, com a diferença que teria tido 22 anos a mais do “prazer” das tragadinhas no maldito. Ledo engano. Ao dizer isso ao médico, ele me disse: se não tivesse parado de fumar já teria morrido hás uns 15 anos. Pelo sim, pelo não, fiquei no lucro.
O duro é parar
Cada qual é cada um. Não tive dificuldades em deixar o cigarro de lado e nunca mais fumei. Em novembro vou completar 25 anos sem cigarro. Mas, tenho convicção que é muito difícil para a maioria das pessoas deixar qualquer vício. O do cigarro é um dos piores pra esquecer. É preciso ter muita força de vontade, em primeiro lugar. Alguém vai dizer: falar é fácil.
Eu sei. Mas foi o que eu usei e mais nada. Nunca recorri a balinhas, pastilhas, doces e nem parei de tomar café. Só parei. O segredo está dentro da vontade de cada um.
Campanhas erradas
Já fizeram centenas de campanhas, a maioria erradas. Não adiantar estampar caveirinhas e gente morrendo de câncer nos maços de cigarro. O fumante vê, mas não enxerga. De nada adianta dizer que o cigarro provoca câncer ou problemas cardíacos. O fumante ouve, mas não escuta.
Só uma vez ouvi uma crítica bem feita aos fumantes. Partiu do meu saudoso amigo Elói dos Santos, quando ele me disse: fumante não cheira, fumante fede. Odiei na hora, porque eu fumava, mas lhe dei razão. A fumaça com mais de quatro mil porcarias contidas no cigarro impregna até a alma do fumante e de quem fica ao seu redor.
Incentivo a parar
Incentivar a deixar o vício é uma viga mestra importante no combate a esse costume feio. Isso eu utilizei quando busquei leituras especializadas e pesquisas na internet, que ainda era fraquinha. O que eu buscava era o que acontecia com o organismo ao deixar de fumar. Descobri que os efeitos iam acontecendo e eu percebia. Em poucos dias sem cigarro notei que a comida tinha mais gosto. Até a água estava diferente, era melhor. Em alguns meses os dentes já começavam a clarear e meu rosto perdia o aspecto soturno. A respiração era muito melhor e o sono me descansava muito mais. E o melhor de tudo: a voz ficou mais clara e mais leve. Na época, eu dependia exclusivamente da voz pra viver e o cigarro estava minando aos poucos minha ferramenta de trabalho. O pigarro acabou e a boca já não secava mais ao falar seguidamente ao microfone. Descobri que havia vida além do cigarro.
Sejam exemplos
Por tudo isso penso que é preciso que as pessoas usem suas experiências para incentivar outras a deixarem os vícios, não só do cigarro. A internet não é só para dar risadas, fake News ou postar fotos que não refletem a realidade. Eu sei que tem muita gente que posta suas experiências para boas intenções. Mas, de boas intenções o cemitério está cheio e a maioria não está nem aí. O câncer, os enfartes e os AVCs também. Porém, temos que insistir em dizer o lado bom que há do outro lado quando se deixa o vício no dia de ontem. Esperar pra ver o que acontece não é uma boa opção. Como dizia minha mãe: as pessoas só se mexem quando a água bate na bunda. E bate, ô se bate!
Sugestões para a coluna: falante@hotmail.com



