sexta-feira, 6 março, 2026
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O povo na avenida

Bonito de ver o Desfile de Aniversário de 59 anos de Assis realizado nesta sexta-feira (22). Eu calculei mais de dois quilômetros de gente desfilando em pelotões de escolas e diversas outras entidades, civis e militares. É disso que eu não me canso de falar, da preservação da história e dos valores da nossa cidade. Desfiles cívicos promovem um sentimento de união e pertencimento, conectando os cidadãos através de uma celebração conjunta que nos identifica como munícipes. É oportunidade para estudantes e jovens aprenderem sobre a história da cidade, os valores cívicos. É momento para relembrar e homenagear a todos aqueles que escreveram a história, através da luta diária e do trabalho de cada um, celebrando as diversas manifestações culturais e a importância das diferentes instituições que compõem o município. É momento de celebrar conquistas. Os desfiles despertam o orgulho de pertencer à cidade e o amor ao chão que se vive, não só em quem desfila, mas nos que assistem.

Viagem ao passado

Assistindo à passagem do Desfile me arremeti aos anos 70, 80 e 90, quando a Rádio Jornal transmitia ao vivo a Parada de Aniversário. A gente mobilizava vários repórteres ao longo da Avenida, que se revezavam para descrever o que estava acontecendo, pelotão a pelotão. Como num jogo de futebol, não escapava um detalhe. Momentos em que não só contávamos aos ouvintes quem desfilava, mas também falávamos com esses em plena pista. Quem assistia também não escapava das perguntas dos repórteres. Fazíamos o acontecimento se tornar um espetáculo no radinho do ouvinte. Muitos assistiam ao Desfile com um rádio de pilha colado ao ouvido para não perder nada. O chato era, ao final, enrolar centenas de fios de microfones sujos de terra, arrastados que foram na pista. Mas o resultado em audiência reconfortava.

Fico feliz em ver que essa lacuna de transmissão está sendo ocupada pela tecnologia do vídeo encorpado no áudio pelo trabalho do incansável amigo Ademir de Brito, pelas redes sociais, ao vivo. O véio tá forte, graças a Deus!

Memória boa

É sempre bom falar com quem sabe da história. Melhor ainda foi reencontrar o Fernando do Nosso Pão ontem. Nos seus 81 anos, Fernando é memória viva da história de Assis Chateaubriand. Nos tempos áureos, ele e a família viveram os primeiros anos da colonização do município na Padaria que tinham na Praça Tiradentes, no Centro. Chamada Nosso Pão, o local centraliza os encontros de políticos, vendedores de terras, picaretas, advogados, juízes e promotores. Era o “point” da época. Com isso, Fernando sabia de tudo. Ele me contou que muitas decisões políticas importantes e grandes negócios foram decididos nas mesas do bar da padaria.

O homem do bolo

Olha que coisa interessante: Foi o Fernando do Nosso Pão que confeccionou o bolo da festa de emancipação no dia 20 de agosto de 66. Fernando me contou que o pessoal da Colonizadora encomendou a ele um bolo para servir no almoço, que contou com a presença do homenageado Francisco de Assis Chateaubriand, o governador do Estado e as demais autoridades presentes. Padeiro que era, Fernando, rapaz ainda jovem, botou mão na massa e fez um bolo assado com um metro de altura, em várias formas. Ficou um bolo alto e fininho, pois as formas eram latas de marmelada. Em cima, Fernando colocou uma vela com o número um, embora fosse o ano zero. O importante era o bolo.

Enterro número um

Conversa vai, conversa vem, eu e Fernando falamos um pouco de muita coisa. Não poderia faltar, lógico, os jagunços. Fernando conheceu muitos, pessoalmente. Foi daí que ele se lembrou que o cemitério municipal foi inaugurado com o enterro de um daqueles que a Colonizadora chamava de guarda-florestal e o povo chamava de jagunço (foi o Dr. Rudy que me disse isso). Deodato, era o nome do homem que inaugurou o cemitério, ocupando a cova de número um. Segundo Fernando, o cemitério ainda estava no meio dos tocos da mata derrubada. O motivo da morte? Adivinha? Isso mesmo! Morte matada nas proximidades do Rio da Corda.

Quem quer saber de história?

Nesta semana fiz e postei vários vídeos no Facebook contando fatos e curiosidades ocorridos ao longo dos 59 anos da cidade. Me surpreendi pela grande audiência alcançada. Faço isso há mais de 10 anos, mas nunca havia conseguido uma média tão significante. Um dos vídeos bateu na casa de 40.800 visualizações. Um número pequeno, mas bom demais para um assunto que só interessa a pessoas ligadas a uma cidade e que fica fora da faixa de jovens e dos preferidos, que são os vídeos de humor, notícia de acidente ou política.

Pena que os mais jovens estão cada vez menos interessados em história da sua cidade. A média entre esses é de 0,8% de visualizações, no público de 18 a 24 anos. Entre as pessoas de 45 a 54 anos, a audiência é de 25,5%. Meus vídeos são mais vistos por pessoas com mais de 60 anos, 31%. Os da faixa de 55 a 59 anos são 27%.

Pra conferir: www.facebook.com/Moradaamiga

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