sábado, 7 março, 2026
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Trump e seu poderoso apito de cachorro

As pessoas movidas pela curiosidade estão questionando qual o objetivo do atual presidente dos Estados Unidos com suas atitudes contra o Brasil? Será que realmente ele deseja libertar o ex-presidente Bolsonaro de sua condenação pelo Supremo Tribunal ou, tem outros fatos estarrecedores que ele tenta desviar atenção do povo dos Estados Unidos? A maior dúvida é: Será que ele está com estas duas intenções? Será que estas atitudes não passam de apito de cachorro?

Sabemos que em política “apito de cachorro” (ou “dog whistle” em inglês) refere-se a uma forma de comunicação codificada ou sugestiva que visa atingir um público específico, enquanto permanece obscura ou incompreensível para outros. É como se a mensagem fosse direcionada a um grupo, usando termos ou símbolos que apenas eles entenderiam, enquanto a maioria da audiência não percebe o significado oculto.

Na opinião de muitos jornalistas, cientistas políticos e filósofos “Trump age conforme lhe dá jeito. O comportamento de Donald Trump em relação ao comércio internacional, especialmente no que diz respeito a tarifas e acordos comerciais, pode ser compreendido a partir de uma combinação de fatores políticos, econômicos e ideológicos.

Trump adotou uma política protecionista baseada no lema “America First”. A ideia era reverter o que ele percebia como acordos comerciais desvantajosos para os Estados Unidos, que, segundo ele, prejudicavam a economia americana e favoreciam outros países. A tarifa elevada, portanto, foi uma maneira de reduzir o déficit comercial e “forçar” outros países a negociar de maneira mais favorável para os EUA. Ele não é nenhum génio, mas também não é burro; apenas impulsivo e obcecado com o controle da narrativa. Atira primeiro, pensa depois.

E quando está encurralado, aponta para outro lado. Podemos perceber as seguintes intenções:

Desejo de reequilibrar acordos comerciais: Trump acreditava que os Estados Unidos estavam em desvantagem em diversos acordos comerciais internacionais, especialmente com grandes economias como China, União Europeia e México. Por exemplo, ele acusava a China de manipular a moeda e praticar práticas comerciais desleais, como roubo de propriedade intelectual e subsídios às suas indústrias. Ao impor tarifas, ele pretendia “punir” essas práticas e criar uma pressão para renegociar os termos dos acordos comerciais. Nesse sentido, a imposição de tarifas não visava diretamente “desrespeitar” as nações, mas sim forçá-las a aceitar novas condições.

A Retórica de “Desrespeito”: o uso de tarifas e ameaças de tarifas foi muitas vezes acompanhado por uma retórica agressiva, que pode ser vista como desrespeitosa. Trump não se preocupava com diplomacia tradicional ou com a suavização de suas palavras quando se tratava de críticas a outros países. Ele frequentemente utilizava termos como “desleal”, “injusto” e “exploração” para descrever os acordos comerciais internacionais. A postura agressiva nas relações comerciais também reflete uma visão mais confrontacional da política externa, diferente da diplomacia mais sutil adotada por governos anteriores.

Nacionalismo Econômico e Protecionismo: O protecionismo de Trump não era apenas uma questão de tarifas, mas uma maneira de reafirmar o poder da indústria americana. Ele acreditava que a globalização e os acordos multilaterais estavam prejudicando os trabalhadores americanos, especialmente aqueles em setores como manufatura, que foram afetados pela concorrência de países com custos de produção mais baixos. Ao aplicar tarifas e cortar acordos comerciais como o NAFTA (substituindo-o pelo USMCA), Trump procurava, em sua visão, proteger empregos e indústrias dos EUA, mesmo que isso significasse uma postura mais combativa e menos cooperativa com os parceiros comerciais.

Cortina de fumação: Durante a campanha de 2024, prometeu divulgar uma tal “lista de clientes” do Epstein que ia expor democratas num escândalo de abuso de menores. Mas mal regressou à Casa Branca, o Departamento de Justiça disse que essa lista nem sequer existe. A base MAGA ficou desiludida, e as teorias que Trump alimentou durante anos começaram a virar-se contra ele, ainda mais quando se soube que o nome dele aparecia várias vezes nos documentos do caso Epstein. Desde então, evita o tema como o diabo da cruz. As fotos de Trump com Epstein estão por todo o lado, e não falta quem suspeite que também esteve envolvido em coisas com menores de idade. Epstein foi preso por abuso sexual de menores e morreu na prisão, oficialmente por suicídio.

Portanto, a birra recente com Obama é pura cortina de fumaça. Quando as coisas correm mal, Trump aponta sempre para outro lado. É uma manobra de distração clássica. Já com o Brasil, o jogo é mais estratégico. As tarifas de 50% que impôs aos produtos brasileiros não têm nada a ver com eleições ou com a defesa de Bolsonaro. Trump está-se a borrifar para as instituições brasileiras e até para o próprio Bolsonaro, que vê apenas como um peão.

O verdadeiro alvo é a China. O Brasil tem um papel-chave na disputa comercial, e Trump quer afastar o Brasil de Pequim. Durante o primeiro mandato, tentou forçar o Brasil a excluir empresas chinesas como a Huawei, invocando “segurança nacional”. Agora volta à carga, usando tarifas como forma de pressão. Para ele, Bolsonaro seria o fantoche ideal – alinhado ideologicamente, hostil à China e submisso aos interesses americanos.

As decisões do STF contra plataformas como o X (Twitter), onde a base trumpista é muito ativa, foram vistas como ataques diretos. Daí a chantagem econômica → “Reponham o meu aliado no poder e afastem-se da China, ou pagam caro.” O Brasil, na minha opinião, devia resistir a esta pressão. Trump recua muitas vezes quando vê que a outra parte não cede.

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