É com muito pesar e sentimento que registramos o falecimento de Sebastião Alamino Mendes, carinhosamente chamado por Soró. Ele já vinha lutando a algum tempo contra enfermidades. Apesar de todo esforço da família e dos médicos que o tratavam, ele não resistiu e veio a falecer. Soró deixa a esposa Maria, os filhos (as); Mikaely, Kamila e Bruno, uma legião de amigos (as) e um legado de amor a família, ao trabalho e muita perseverança em tudo o que fez.
Que Deus em sua infinita bondade e misericórdia, o tenha ainda hoje no Paraíso Celestial e dê conforto aos corações dos familiares e de todos que com ele conviveram. O velório está acontecendo no memorial Bom Samaritano e o sepultamento será ainda hoje às 17 horas no Campo Santo de Assis Chateaubriand.
SORÓ: “UMA HISTÓRIA DE LUTAS E PERSEVERANÇA”
EMPRESÁRIO DE GRANDE VISÃO, “SORÓ” LANÇOU A ISCA E FISGOU O PROMISSOR MERCADO DE PESCADOS COM FRETES PARA TODO O PAÍS, INCLUSIVE INTERNACIONAL.
Ao contar a história das pessoas e empresas que ajudaram construir Assis Chateaubriand, é com alegria e satisfação que registramos a trajetória de vida e de sucesso de Sebastião Alamino Mendes, popular “Soró”. Tudo começou em 1971, quando seus pais, Maria Aparecida e Divino Gonçalves Mendes, com seis filhos, deixaram o Norte do Paraná (Marialva), onde eram arrendatários, para se instalar num sítio de cinco alqueires na estrada Xavantes, no distrito de Aymorés, município de Formosa do Oeste, produzindo hortelã. Aos 11 anos, como já tinha o primário, mesmo tendo que fazer o trajeto a cavalo, Soró estudou o primeiro ano do Ginásio em Formosa. Devido à broca na hortelã, seu Divino vendeu o sítio e comprou dois alqueires no patrimônio Nice, instalando-se num rancho de palmito com a família.
Tempos depois, seu Divino montou uma cerealista, onde comprava cereais para uma empresa de Floresta. Na primeira safra a empresa deu os “canos” em seu Divino, que teve de vender a chácara para pagar os agricultores e foi morar na cidade pagando aluguel. Mesmo trabalhando de queijeiro (vendedor de queijo), limpador de poço e servente pedreiro (quando ajudou construir a primeira escola do Nice), Soró voltou a cursar o ginasial no Colégio João Paulo II, em Palotina. O meio de transporte era uma perua Rural Willys.
Seu primeiro emprego com carteira assinada foi na Construvale (Construtora Vale do Piquiri Ltda.). Em 1980, devido aos ônibus escolares que o prefeito Koite Dodo colocou à disposição dos estudantes do interior do município, Soró passou a estudar em Assis Chateaubriand. Em 1981, sua família se mudou para a sede, na Rua São Paulo, próximo à estação rodoviária, quando ele concluiu o ginásio e fez Contabilidade (2º grau). Neste período trabalhou na Agrovale, de Mário Lombardi, como vendedor de sementes e insumos.
Em 1982, passou num concurso da Coopervale e, com aval de Dito Sarro, foi trabalhar no entreposto de Terra Nova (armazém do Bernardo Scarabelli) como balanceiro e recebedor de algodão. Um ano depois foi transferido para a algodoeira no entreposto de Assis, onde chegava a receber um milhão e 300 quilos de pluma/ano. Naquela época, o gerente era Adair Boldrin, tendo José Vieira como chefe de escritório. Nas entressafras trabalhou de guarda diurno e com empilhadeira no sementeiro.
Aos 27 anos de idade e com a experiência adquirida nos cinco anos de Coopervale, Soró foi convidado para trabalhar na Copacel, na cidade de Sorriso (MT). Não demorou muito e seu pai foi atrás dele com toda a família. Soró deixa a república para morar com meus pais. Com pouco tempo foi transferido para Cuiabá e seus pais voltaram para a “Morada Amiga”. Seis meses depois, Soró não aguentou a saudade dos amigos e da família e regressou também.
Mesmo ganhando menos, continuou trabalhando na Copacel. Em 1988, devido à gratidão que Soró tinha com Koite Dodo, tentou ajudá-lo na campanha, mas foi muito perseguido pelo então gerente da empresa onde trabalhava. Desanimado, ele decidiu voltar para Sorriso, mas quando foi se despedir dos amigos e da equipe de campanha, não permitiram que ele fosse embora. Ficou em Assis e acabou sendo motorista do Koite e mais tarde foi trabalhar no instituto de identificação da prefeitura.
Daqui para frente, uma mulher muito especial, Maria (esposa), passa a fazer parte da vida e da história do Soró. “Tudo começou quando peguei na sua mão para tirar a impressão digital. Mesmo eu dizendo que a carteira só estaria pronta dentro de 30 dias, no terceiro dia ela veio me perguntar quando iria chegar seu documento. Daí em diante Cupido nos pegou”, sorri, Soró. Um pequeno detalhe que vai alterar o curso de sua história: Soró havia trocado o seu Fiat por uma peixaria.
NASCE O “SHOPPING DO PESCADO”
Em 23/11/1995 se casaram e foram morar no fundo da peixaria. Temos depois, Soró trocou com Joaquim Cardoso uma casa que ele possuía no conjunto Collor II ao lado do estádio, por um Fusca. Comprou uma carretinha, engatou no fusqueta e foi vender peixe de casa em casa. Ele ia comprar os peixes no lago do rio Paranazão. Carregava as caixas de peixes na cabeça da barranca até a rodoviária.
Foram dias difíceis, todos os problemas da família, inclusive as inadimplências caíam sobre as costas de Soró. Com o passar do tempo trocou o Fusca por uma Chevi com aval do professor Paulo Alves (in- memória) e passou a buscar peixe no Pantanal numa caixa térmica emprestada por Sidney Rechi, e vendia na região. O seu melhor vendedor era o seu irmão “Vermelho”. Como os negócios iam bem, Soró trocou a Chevi por uma F-100 da Retífica Amadeus com motor Perkins e mandou fazer uma caixa térmica na Refricol para buscar peixe no Paraguai.
Na sua primeira viagem a Foz do Iguaçu, na volta, a polícia queria tomar sua caixa e foi aí que conheceu Miguel Fernandes, maior comprador de peixes do Paraguai, com quem passou a negociar durante muitos anos. Neste espaço de tempo, conheceu todos os mecanismos necessários para se tornar uma grande empresa de importação de pescados. Foi aí que nasceu o “Shopping do Pescado”, o marco da sua escalada como empresário de sucesso no ramo de pescados.
Como sempre foi um apaixonado pela política, neste meio tempo Soró foi 3 vezes candidato a vereador, foi presidente da Liga de Futebol por duas gestões, onde, aliás, fez um grande trabalho no comando da entidade-mor do futebol no município.
Em 2003, começou a trazer peixe da Argentina; era um verdadeiro coringa – comprava, vendia e era auxiliar de motorista de seu irmão Vermelho. Pouco tempo depois, o Shopping do Pescado passou a ser representante da Pesqueira EL Timon SRL, da cidade Rosário, próximo a Santa Fé, a maior exportadora de peixes da Argentina.
Em 2007, a esposa Maria passa a ter uma grande importância na empresa. Soró foi acometido por um problema de saúde (infarto), e ela, que era professora estadual, teve de deixar o emprego para ajudar o marido, função que ocupa até hoje como diretora administrativa.
O que foi no começo um Fusca com uma carretinha, passou a ser uma grande empresa no ramo de pescados, chegando a ter uma superestrutura com 11 carretas com câmara fria entregando peixe por este Brasil afora. O Shopping do Pescado passa a ser transportadora com fretes interestadual e internacional. A empresa chegou a gerar 18 empregos diretos e oito indiretos, com a razão social S J A Mendes Peixaria.
Em 2012, ano que foi feita esta reportagem, perguntamos ao casal qual foi o motivo principal de continuar morando em Assis Chat., eles disseram: “Aqui estão nossos pais, nossos inúmeros amigos, nasceram nossos filhos Mikaely, Kamila e Bruno e, pela tranquilidade e segurança que Assis proporciona, o que nos possibilita dar a eles uma boa formação. Enfim, aqui nós somos nós; lá fora, seríamos mais um na multidão”.
Em tempo: Esta reportagem foi extraída do livro Nossa História, de autoria de Ademir Brito dos Santos, lançado em 2012 por ocasião dos 45 anos de Assis Chateaubriand.

Empresário de grande visão, Sebastião Alamino Mendes, “Soró” lançou a isca e fisgou o promissor mercado de pescados com fretes para todo o país, inclusive internacional.




