Para muitos, o feriado de Corpus Christi representou um tempo para o descanso, visita aos amigos ou viagem em família. Para os católicos, um convite para refletir sobre a fé e o que dá sentido à vida. As ruas interditadas com o propósito de proteger os tradicionais tapetes indicavam que a procissão estava prestes a acontecer, marcando a expressão da religiosidade e do cuidado com a própria espiritualidade.
Percebo, na minha prática clínica, que cada vez mais as pessoas buscam um refúgio na espiritualidade, uma fonte de força e equilíbrio emocional. Uns inclinados pelos males físicos, outros pelo sofrimento emocional, no entanto, todos com o mesmo objetivo, a busca pela cura de suas dores. É fundamental reconhecer que cuidar da saúde mental inclui, também, cuidar da espiritualidade, sendo uma dimensão da vida que não pode ser ignorada, não importa a profissão de fé. É suporte nos momentos de dor, de crise e de incerteza, funcionando como uma âncora que dá sentido e nos fortalece.
É importante lembrar que espiritualidade não se limita à religião. Ela se manifesta na busca por propósito, na conexão com algo maior, seja Deus, a natureza, a vida, ou os valores que movem cada pessoa. Pode ser vivenciada de diversas formas, por meio de práticas de oração que ajudam a acalmar a mente e cultivar a conexão com o interior ou passando um tempo junto à natureza e até mesmo praticando a caridade. Praticar a gratidão e o perdão também são formas de vivenciar a espiritualidade. Essas ações alimentam a alma com esperança, gratidão, amor, compaixão e fé.
A ciência demonstra que pessoas que cultivam sua espiritualidade desenvolvem maior resiliência, apresentam menor propensão à ansiedade e à depressão e constroem relacionamentos mais saudáveis. Isso porque, quando nos sentimos conectados com o que nos transcende, passamos a enxergar os desafios da vida de forma mais ampla, mais leve e com maior capacidade de enfrentamento.
Por isso, cada momento ou oportunidade que tenhamos para alimentar a espiritualidade, nos inspire à reflexão, fortalecendo-a como parte essencial do cuidado com a saúde mental. Assim como cuidamos do corpo e da mente, é necessário nutrir aquilo que nos conecta ao sagrado, ao amor e ao sentido da vida. Esse cuidado é um caminho seguro para viver com mais equilíbrio, esperança e paz interior.
| Silvana Pedro Pinto é psicóloga clínica e educacional. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini. |



