sábado, 7 março, 2026
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O que é uma religião de aparências?

Segundo o dicionário o  cristianismo de aparências, ou religião de aparências, refere-se a uma prática religiosa onde a fé é demonstrada externamente, através de rituais e formalidades, sem uma transformação interior genuína. É como uma máscara que esconde uma falta de comprometimento real com os ensinamentos e valores cristãos. 

É incrível como as pessoas, em nossos dias, querem ser ob­servadas. O pior ainda é que não se preocupam com o que Deus vai observar, mas com o que a sociedade observa. Não temo em afir­mar: “Quem vê cara não vê coração.” Estou acostumado a presen­ciar situações que me autorizam a dizer: na frente as pessoas falam e agem de uma maneira, porém nas costas são irreconhecíveis. Então, de repente temos a expressão: “Eu jamais pensei que o (a) fulano(a) fosse capaz disto!”

O texto que serve de base para esta reflexão quer trazer uma nova proposta de vi­da. ”Teu Pai, que vê em secreto, te recomensará” ( Evangelho de São Mateus 6.16-18). Ele comenta a situação em torno do jejum com a preocupação de chamar a atenção sobre si. Jesus reage a esta atitude dizendo que aquele que age com este fim, de ser visto e chamar a atenção sobre si, já recebeu sua recompensa. Se você, por exemplo, jejua para ser visto; orar para ser observado em destaque; vai à igreja para aparen­tar ser um cristão, ou algo semelhante, você já recebeu sua recom­pensa. Porém, se você faz isto desprovido de qualquer interesse, mo­tivado apenas pela fé, então Deus o recompensará. Assim explica Jesus.

Ao refletirmos sobre estas palavras e ensinamentos de Jesus, precisamos parar e olhar para dentro de nós mesmos e nos pergun­tar: Qual é o motivo que nos leva a agir ou participar ativamente na vida da comunidade cristã nos dias de hoje?

Se o motivo for atrair destaque sobre mim mesmo, então o meu trabalho não terá valor perante Deus, mesmo que seja muito belo aos olhos do mundo. Este “cristianismo de aparência” é comparável ao farisaísmo condenado por Jesus. É um tipo de fé mais focado em cumprir regras e normas, em ostentar uma imagem de santidade, do que em promover uma transformação de coração.

Amigo leitor, Deus quer nossa ação. São muitos os dons que, certamente, possuímos para empregá-los em muitas atividades. Mas também te­mos muitos exemplos de pessoas que se dizem cristãos e deixam de atuar por sentirem falta do destaque sobre si.

E você amigo, o que pensa disto? Lembre-se, o mais importante não são os elogios humanos, mas a própria vivência da fé e a recompen­sa divina.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
pardinhorama@gmail.com

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