Nos últimos anos, a consciência sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem crescido consideravelmente, alavancando mudanças na maneira como a sociedade enxerga e acolhe pessoas com essa condição.
Em Assis Chateaubriand, essa evolução se concretizou com a inauguração, há um ano, do Centro Municipal para Crianças com Transtorno do Espectro Autista, que recebeu o nome da professora Lucinei Correia Bandeira Alves, homenagem pela dedicação e legado deixado à educação municipal e que foi, mais uma vítima da pandemia COVID-19. O Centro é um marco na garantia de direitos e no suporte especializado para essas crianças e suas famílias.
A implantação desse Centro reflete um compromisso público com a inclusão e o desenvolvimento infantil, promovendo um atendimento multidisciplinar que envolve psicologia, fisioterapia, musicoterapia, fonoaudiologia, serviço social e educação especial. Oferece-se suporte às crianças e às famílias, que enfrentam muitas vezes desafios na compreensão e no manejo do TEA.
Apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. O acesso ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento contínuo são fundamentais para garantir melhores prognósticos. Além disso, a sociedade precisa seguir combatendo estigmas e promovendo informação para o autismo ser compreendido como parte da diversidade humana e não como uma barreira intransponível.
Atuo na escola de educação básica na modalidade de educação especial, APAE do município de Formosa do Oeste-PR, há mais de quinze anos e tenho acompanhado o aumento de casos de autismo, podendo ser explicado por fatores como maior qualificação dos profissionais da saúde, maior conscientização da população e acesso aos serviços de diagnóstico.
Contudo, há diversos vieses no diagnóstico, culminando em diagnósticos equivocados realizados por profissionais sem qualificação na área. À medida que as ferramentas de avaliação e os conhecimentos especializados melhoram, os diagnósticos tenderão a aumentar.
O autismo não apoiado contribui para diversos tipos de abusos, automutilação, suicídio, agravamento das comorbidades, desemprego, conquista da independência e outros danos evitáveis. Quanto mais reconhecidas, maiores as chances das pessoas com autismo serem ajudadas e respeitadas em sua singularidade.
Silvana Pedro Pinto é psicóloga clínica e educacional. Atende adultos e crianças na Clínica Bambini. |