sábado, 7 março, 2026
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‘Se ele agiu em legítima defesa, por que ele tinha que tirar a vida do menino?’, indaga mãe de jovem executado por PM em Salvador

GABRIEL FOI MORTO A TIROS NO BAIRRO DE ONDINA. SUSPEITO FOI AFASTADO DAS ATIVIDADES NA POLÍCIA MILITAR APÓS A REPERCUSSÃO DO CRIME.

Família vive dor da perda de jovem morto em Salvador

A mãe do adolescente Gabriel Santos Costa, de 17 anos, assassinado a tiros no último domingo (1º), em Salvador, cobra justiça pelo filho. Marlene Santos lamentou o fato de o suspeito, o policial militar Marlon da Silva Oliveira, não estar preso mesmo diante das imagens que registraram o crime.

O vídeo gravado por uma testemunha mostra o momento em que o PM rendeu Gabriel e outro jovem de 19 anos, e disparou mais de 10 tiros contra os rapazes. O mais novo não resistiu. Já o segundo garoto foi hospitalizado — o estado de saúde dele não foi divulgado.

 O PM argumentou que teria atirado nos jovens para se defender de um assalto em depoimento à Polícia Civil. A instituição não aceitou essa tese, mas já havia passado o prazo para prisão em flagrante e o PM foi liberado.

Em meio a isso, a polícia chegou a pedir a prisão preventiva dele. No entanto, a Justiça entendeu que o caso não demandava urgência para ser analisado no plantão judiciário.

 A família de Gabriel lamenta esse cenário. Ao longo da entrevista, Marlene destacou que costumava sentir a dor de outros familiares, quando perdiam seus filhos para a violência, porém, não esperava que acontecesse com ela.

“EU NÃO ASSISTIA À TV, NÃO QUERIA VER ESSES PROGRAMAS PORQUE EU NÃO QUERIA VER O SOFRIMENTO DE MÃES, DE PESSOAS. E AGORA ACONTECEU COMIGO DE UMA FORMA MUITO RUIM, PÉSSIMA. ELE TEM QUE PAGAR POR ISSO, ELE TEM QUE SE CONSCIENTIZAR QUE ELE ERROU”.

O adolescente Gabriel Santos Costa, de 17 anos, foi morto a tiros no bairro de Ondina, em Salvador — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Afastamento da PM

Diante da repercussão do caso e a investigação em curso, Marlon da Silva Oliveira foi afastado das atividades operacionais na Polícia Militar e teve a arma recolhida. A informação foi confirmada pela corporação, em nota, nesta quarta-feira (4). O policial foi realocado para a área administrativa da PM até o fim do inquérito.

Marlon, que atua na 9ª Companhia Independente da Polícia Militar, no bairro da Boca do Rio, não estava fardado nem usava o carro da corporação quando atirou contra os dois jovens.

Veja o que se sabe sobre o crime:

1. Como o crime aconteceu?
2. Qual a versão do suspeito do crime?
3. O que dizem os familiares do adolescente?
4. O caso é investigado?

1. Como o crime aconteceu?

O crime ocorreu no bairro de Ondina e foi filmado por uma pessoa que flagrou o momento em que o adolescente e um outro jovem de 19 anos, que não teve nome divulgado, foram rendidos pelo policial militar Marlon da Silva Oliveira.

Nas imagens, é possível ouvir que o suspeito xingou e agrediu as vítimas. Depois, mandou que os rapazes colocassem o rosto no asfalto e as mãos na cabeça. Eles obedeceram às ordens do suspeito, que fez uma espécie de revista. Mesmo rendidos, os dois foram baleados com mais de 10 tiros.

Após balear a dupla, o homem entrou no carro branco que aparece no vídeo e deixou o local. Gabriel morreu na hora. Já o jovem de 19 anos foi socorrido para um hospital da capital baiana. O estado de saúde dele não foi divulgado.

 Homem rendeu as vítimas no bairro de Ondina, em Salvador — Foto: Redes sociais

2. Qual a versão do suspeito?

Marlon, que atua na 9ª Companhia Independente da Polícia Militar, no bairro da Boca do Rio, não estava fardado, nem usava o carro da corporação. Ele alegou legítima defesa em depoimento à Polícia Civil e afirmou que os jovens tentaram assaltá-lo.

O mesmo argumento foi apresentado pela namorada do policial, que não teve nome divulgado. A mulher é uma das oito testemunhas que já foram ouvidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Civil, no entanto, não aceitou a justificativa e ingressou com o pedido de prisão preventiva, que será avaliado pela Justiça.

Procurado, o advogado Otto Lopes, que defende o casal, disse que não vai se manifestar até que as investigações sejam concluídas.

 Pedido de prisão preventiva de PM é analisado pela justiça após morte de jovem em Salvador

3. O que dizem os familiares do adolescente?

A família de Gabriel pede a quebra de sigilo do celular do suspeito. O corpo dele foi sepultado na tarde de segunda-feira (2) sob forte comoção e pedidos de justiça.

Marlene Santos, mãe de Gabriel, disse, em entrevista à TV Bahia, que recebeu uma ligação por volta das 3h30 da madrugada de domingo, e foi avisada sobre a morte do filho. Naquele momento, ela disse que ainda não sabia que o jovem tinha sido assassinado, nem que o homicídio havia sido gravado por uma testemunha.

mãe do adolescente prestou depoimento nesta terça-feira, na sede da Delegacia de Proteção a Pessoa (DHPP), e aproveitou a ocasião para cobrar soluções para o caso.

“COM AQUELA IMAGEM [DO CRIME], NINGUÉM TEM MAIS DÚVIDA. ELE [SUSPEITO] TEM QUE FALAR O QUE ELE FEZ E PORQUE ELE FEZ. MEU FILHO FOI EXECUTADO. FOI MUITA MALDADE, EU NUNCA IMAGINEI QUE ISSO FOSSE ACONTECER COMIGO. EU TINHA PENA DAS MÃES [QUE PERDEM OS FILHOS] E AGORA ESTOU NO MEIO DELAS”.

Marlene Santos, mãe de Gabriel, jovem assassinado em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

O pai dele, que preferiu não se identificar por medo, disse, em entrevista à TV Bahia, que o filho não era envolvido com a criminalidade. Ele contou que, dias antes de morrer, o adolescente foi apreendido por ter xingado um policial militar e foi acusado de desacato. No entanto, foi liberado logo em seguida.

“PODIA SER O PIOR VAGABUNDO RENDIDO ALI, ELE NÃO PODIA MATAR UM SER HUMANO. ERA UM MENINO BOM. NÃO PUXAVA BONDE NENHUM, GRAÇAS A DEUS. O POLICIAL O XINGOU, ELE TAMBÉM XINGOU O POLICIAL E FOI PRESO. AÍ EU FUI LÁ, LIBEROU ELE LÁ NA DERCCA, MAS NÃO TEVE NADA DEMAIS”, RELATOU.

4. Como o caso é investigado?

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que a PM instaurou um processo administrativo disciplinar, enquanto a Polícia Civil abriu inquérito para esclarecer a motivação e a dinâmica do crime. A PC tem 30 dias para concluir o inquérito, que deverá ser analisado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão acompanha o caso.

A delegada responsável pelas investigações pediu a prisão preventiva do suspeito, mas a Justiça não analisou a solicitação no plantão judiciário por entender que não havia urgência. Com isso, o PM foi liberado após alegar legítima defesa durante depoimento na delegacia, na noite de segunda-feira (2).

https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2024/12/04/mae-lamenta-morte-jovem-executado-salvador.ghtml#:~:text=Marlene%20Santos%2C%20m%C3%A3e%20de%20Gabriel%2C%20jovem,Tela%20cheia

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https://g1.globo.com/ba/bahia/edicao/2024/12/04/videos-do-g1-e-tv-bahia-quarta-feira-4-de-dezembro-de-2024.ghtml

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