sábado, 7 março, 2026
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Comer demais pode ser compulsão e necessita de tratamento

Por que será que cada vez mais temos pessoas que não conseguem controlar o peso? Está aumentando o número de obesos mórbidos e a busca pela cirurgia de redução de estômago tem sido a saída encontrada por aqueles que se tornaram escravos dos alimentos.

Freud, em sua teoria psicanalítica, afirmava que uma das forças motrizes que nos movem é o princípio do prazer. Fazemos de tudo para evitar a dor e o possível para o atendimento das nossas necessidades, desejos e impulsos. O princípio do prazer se esforça para suprir os impulsos mais básicos e primitivos como a fome, sede e raiva. Quando estas necessidades não são satisfeitas, o resultado é tensão e ansiedade.

O consumismo entende bem estas necessidades e nos oferta uma infinidade de alimentos que vão de encontro a esta ferida emocional, são pobres em nutrientes, mas, ricos de sabor, de visual e que nos trazem várias sensações, inclusive prazer.  Por isto que é tão difícil resistir ao pudim da confeitaria, a feijoada da mãe e tantos outros pratos que comemos com os olhos.

Por outro lado, há o princípio da realidade nos dizendo que os alimentos são fonte de sobrevivência, devendo ser ingeridos de forma planejada. Venhamos e convenhamos, o apelo comercial para a ingestão de porcarias é imenso.

Há uma diferença básica que separa a pessoa que abusa de alimentos e o comedor compulsivo. O que exagera é aquele que não resistiu à feijoada da mãe e ingeriu uma quantidade maior do que considerou necessária. O comedor compulsivo exagera por pelo menos duas vezes por semana, tem dificuldades em parar de comer, come em intervalos pequenos, se esconde para que os outros não o vejam comendo e come rápido demais. É um padrão recorrente.

O mais delicado no quadro é que a compulsão alimentar não é gula, mas, a relação do sujeito com o que come e suas emoções. Comem como se pudessem preencher o vazio causado pela angústia vivida internamente.

São sujeitos que normalmente apresentam outros quadros associados como a depressão e a ansiedade.

É importante procurar por um psicólogo para auxiliar no tratamento e apoio para que consiga equilíbrio das emoções, superar a ideia de resultados imediatos no processo de emagrecimento e incentivar na busca de apoio multidisciplinar com nutricionista, educador físico e médicos. A compulsão deve ser tratada. Quando um compulsivo realiza cirurgia bariátrica há uma grande chance de retomar o estado de obesidade.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga clínica e educacional.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini.

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