sábado, 7 março, 2026
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EDUCAÇÃO POLÍTICA E DEMOCRACIA

            Historicamente incontáveis governos em  diferentes níveis no Brasil foram eleitos prometendo ressuscitarem até frangos congelados e construírem pontes onde não tinham rios, isso tudo durante o período da campanha política. É interessante observar que muitos postulantes aos diferentes cargos nos poderes mantêm os dis­cursos voltados a favor das camadas populares menos favorecidas. Por que este público é lembrado e abraçado neste período e depois é esquecido? É ético aceitar a fome, a miséria e o desemprego? Que valores queremos num País que exclui, deixa com fome e divide cidadãos e cidadãs entre os que comem e os que não comem? 

Fome, miséria e ignorância: instrumentos de poder

Quem faz discurso profético consegue iludir o povo e assim ganha votos. Os menos favorecidos são também os que tiveram menos, ou nem tiveram oportunidades de estudar e crescer. Por falta de esclarecimento, as pes­soas caem na “armadilha” que ajudam a construir. É lamentável que em países periféricos como o Brasil, a ignorância é mantida porque serve para promover a apatia da população – e, como consequência, a pobreza se perpetua como eficaz instrumento de dominação.

 Não se pode negar que a cultu­ra popular deve ser respeitada. Mas é preciso ir além, buscar também o conheci­mento sistemático, que constitui uma das bases para a formação de hábitos e atitu­des que levam à participação na vida social e ao pleno exercício da cidadania. Co­nhecer, nesse sentido, é saber, é dar um passo fundamental na direção da liberda­de de pensar, criticar e agir. Conhecer o mundo é apropriar-se dele, e não ser pre­sa fácil da mentira, da ilusão, do obscurantismo, da demagogia, da mistificação, do sectarismo ideológico.

A escola não é um mundo à parte da sociedade. Além dela, atuam as igrejas, os partidos, os sindicatos, os meios de comunicação, as manifestações culturais. E da ação educativa conjunta de todos esses elementos que se formam a consciên­cia, os valores, os projetos de vida, as opções ideológicas.

Respeito à verdade, senso crítico, solidariedade, aceitação do outro, reconhecimento da importância da participação e aceitação da divergência, do trabalho e es­forço disciplinado são virtudes imprescindíveis para viver no “mundo moderno” e na democracia e são incompatíveis com o autoritarismo da classe dominante.

* Filósofo e teólogo – professor de filosofia, antropologia e história.
Professor da Rede Estadual de Educação
pardinhorama@gmail.com

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