sábado, 7 março, 2026
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Este é o pão descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente

Na vida de fé há momentos decisivos de escolha. Precisamos discernir se queremos continuar no mesmo caminho ou tomar uma outra estrada ou fazer outra escolha.

A Bíblia contém páginas densas sobre estas alternativas e escolhas que muitas vezes dividem a história em duas, um antes e um depois. As leituras de hoje apresentam dois momentos deste tipo: o primeiro se refere a Israel (primeira leitura) que deve escolher a quem servir. O segundo diz respeito aos doze apóstolos que, em um momento de crise profunda no ministério de Jesus, devem escolher ficar com ele ou abandoná-lo.

O evangelho apresenta a reação dos discípulos diante do discurso do Pão Vida (Jo 6,60-69). Eles não conseguem entender o sentido do comer a carne e beber o sangue de Jesus. Depois de todos terem visto o sinal do pão e de ouvirem o discurso que explicou seu sentido, chegou a hora da decisão de fé: acolher ou rejeitar Jesus como enviado de Deus. Surge uma murmuração entre os apóstolos. As palavras de Jesus são duras e diretas e estão longe das expectativas dos discípulos. Há no ar um sentimento de derrota e Jesus não alivia a situação, nem mesmo no jeito de falar; ele não busca a aprovação, a realização da Palavra não está relacionada ao consenso, mas à fidelidade.

Este fato se repetirá muitas vezes na vida dos cristãos. Quando acontece o fracasso surge o desejo de abandonar tudo.

Muitos discípulos voltaram atrás, não tiveram a coragem de aceitar a proposta de Jesus. Diante disso, Jesus pergunta aos Doze se eles também querem deixá-lo. Simão Pedro faz então sua profissão de fé em nome dos que querem seguir Jesus. É uma resposta que brota do Espírito. Também nós, precisamos diariamente renovar nossa fé no “pão descido do céu”, assumir com ele o caminho da cruz que nos conduzirá à ressurreição. A maturidade de nossa fé é alcançada quando afirmamos com São Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

A vida de fé se concretiza na profunda relação dos discípulos com o Mestre. “Eu sou o pão da vida”. Crer e conhecer são dois verbos que exprimem a relação com Deus, por causa dele estamos dispostos a entregar a própria vida. A relação entre Jesus e o Pai reflete na fé dos discípulos.

Por isso os Doze Apóstolos permaneceram com Jesus e, através de Pedro, afirmaram a sua fé nele. Os apóstolos estão convencidos de que somente Ele tem palavras de vida eterna. Eles representam todos os que estão dispostos a dedicar a vida ao serviço do Reino de Deus. Eles ensinam a viver a verdadeira fé, que consiste em uma relação existencial com o Senhor que leva a construir relação novas de justiça e fraternidade entre todos.

No último domingo do mês de agosto a Igreja celebra a vocação dos catequistas e vocação dos cristãos leigos. O Catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade” a sua missão (Papa Francisco). Deus abençoe e fortaleça todos os catequistas da Diocese de Toledo.

Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo

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