sábado, 7 março, 2026
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O preço do estresse nas relações familiares

Ser família é sempre um desafio. Emanamos de uma e almejamos constituir ou manter a nossa. Na prática, nem tudo são flores. O estresse do dia a dia impacta negativamente as relações familiares.

Aquela vida tranquila e pacata que muitos discursam sonhar parece ser coisa do passado. É comum as pessoas viverem aceleradas, num corre-corre para dar conta das demandas diárias. Com crianças em casa, o trabalho é intensificado, levar à escola, cursos e atendimentos profissionais. As tarefas começam muito antes do horário de trabalho dos adultos e com tantos afazeres, o tempo passa e quando a noite chega vários afazeres ficaram para trás e muitas vezes sobrou o cansaço, quando acumulado, se torna estresse.

A sensação é que o tempo não foi o suficiente. A vida moderna incentiva à correria e para dar conta das contingências financeiras várias famílias recorrem a mais de uma atividade de trabalho como fonte de renda, sobrecarregando a jornada e encurtando ainda mais o tempo para outras atividades.

Erroneamente tentamos querer dar conta de tudo, o que nem sempre é possível ou viável. As cobranças internas e externas fazem com que a insatisfação logo apareça.

O estresse é um fator de proteção do organismo. É acionado em situações de perigo, nos preparando para reagir. Os batimentos cardíacos aceleram, a pressão se eleva e as pupilas dilatam acionando o estado de alerta. Situações constantes de estresse podem desregular este sistema, podendo fazer com que ele dispare mesmo sem sinais de perigo iminente.

Alterações de humor, impaciência, insônia e cansaço excessivo são alguns sintomas indicativos que algo está errado com nosso estado emocional. A comunicação nas relações é a primeira a ser afetada.

Quando as crianças convivem com pais estressados, a tendência é absorver o clima familiar e apresentar os mesmos comportamentos dos pais.

Podemos romper com este ciclo negativo e o caminho é a diversão. Famílias saudáveis e mais felizes reservam espaço e tempo para se dedicar a atividades que despertam a alegria e a felicidade. Pessoas felizes são mais divertidas, sendo assim, os adultos devem dar atenção especial ao seu estado emocional e os problemas que limitam a qualidade de vida devem ser enfrentados e ressignificados. Quando os adultos olham para si e despertam para viver a vida com satisfação e realizações, aprimoram a inteligência emocional, sentem-se mais felizes e as crianças que convivem ao seu redor aprendem este modelo de vivência.  Para cuidar bem do outro, é preciso cuidar bem de si mesmo.

Sobrecarga de tarefas pode existir sempre, mas, podemos modificar o que é prioridade e a maneira com que reagimos ao que acontece ao nosso redor.

Aceitar que não daremos conta de tudo é essencial, saber delegar também. Faça pausas, permita-se descansar e relaxar, sobretudo, se divertir. Permita que sua família se liberte do estresse.

Silvana Pedro Pinto é psicóloga clínica e educacional.
Atende adultos e crianças na Clínica Bambini

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