sexta-feira, 6 março, 2026
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A fraternidade se tornou uma lenda?

Pense na corrida de São Silvestre da cidade de São Paulo. É uma corrida onde competem milhares de pessoas. Todas saem do mesmo local. Percorrem vá­rios quilômetros. Todos querem chegar no ponto final em primeiro lugar.

Sem dúvida nenhuma o esporte é salutar. Mas vamos tomar esta corrida como um exemplo de vida.

Vejam! O corredor que está a frente nunca pode ficar tranquilo, pois sempre é ameaçado pelo que está em segundo lugar. E este deve vencer o primeiro. Do con­trário não verá o seu trabalho e seu esforço reconhecidos e valorizados. No entanto, é ameaçado por um terceiro. O que corre ao seu lado não é amigo e nem vizinho. Mas um inimigo que deve ser deixado para trás a qualquer custo. E isto não vale somente para os três primeiros. Vale para todos.

É uma situação vivencial onde um se torna ameaça para o outro. O individua­lismo é o mandamento supremo. Não há lugar para ajudar o caído. Não há lugar para a boa vizinhança, a solidariedade, a prática do amor ao próximo.

Os analfabetos foram imobilizados pela ignorância, e estão sempre prestes a ser destruídos por uma cultural letrada. Ou melhor, eles são constantemente esmagados, porque esmagam a sua dignidade, as suas oportunidades, os seus direitos de escolher e decidir. Por que ainda existem tantos analfabetos no Brasil? Quem ganha com a presença maciça de analfabetos humilhados?

Não é assim que vivemos no dia-a-dia? Não colocamos em prática estas frases? “Cada um por si e Deus por todos”. “Amigos, amigos. Negócios à parte”. “Deve­mos levar vantagem em tudo”. Aceitamos, fomentamos este jeito de viver. Entranhamos este modo de viver para dentro de nós mesmos. Ficamos cegos. Estragamos a vida.

Os mais fortes argumentam que este jeito de viver é o único possível. O ide­al, o moderno. Que é necessário haver ricos e pobres; fortes e fracos; Trabalhado­res e os que ficam com os frutos do trabalho. Os espertos e os que fazem a vitória dos espertos.

Então a solidariedade, a comunhão, a fraternidade, a boa vizinhança, a práti­ca do amor ao próximo se tornam superficiais.

Lamentavelmente, há cristãos que defendem com unhas e dentes este jeito de viver, este jeito de organizar a sociedade.

Segundo o teólogo Leomar Pydd “Jesus tem outra proposta de vida, outro jeito de organizar a sociedade. Ele diz: “Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo, tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mt 20.26-28).

* Filósofo e Teólogo – Professor de Filosofia, Antropologia e história
Professor da Rede Estadual de educação
pardinhorama@gmail.com

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