sábado, 7 março, 2026
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Advento, tempo de renovação e de esperança

Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. Mateus 11.5.

Quando tudo parece estar perdido, quando não há mais esperança, quando o mundo parece desabar por sobre as nossas cabeças, quando os gritos da fome, da miséria, do desemprego, dos sem-terra, sem-teto, sem-saúde, sem-escola, do salário mínimo, ecoam bem alto nos porões do Terceiro Mundo oprimido e explorado; sur­ge ele, o Super-Roxo, defensor dos pobres e injustiçados, dos descalços e descamisa­dos, dos sem-voz e sem-vez, prometendo lutar por uma vida mais digna e humana.

É assim que os meios de comunicação de massa e os enlatados, que nos bom­bardeiam diariamente, querem e procuram aliviar a dor daqueles que sofrem toda sorte de privações. São soluções mágicas, que nos são apresentadas, e que em vez de libertar, escravizam ainda mais os que nelas depositam sua confiança.

Estamos na época de Advento, e assim como João Batista e o povo da época esperavam por aquele que iria restabelecer a ordem e a justiça, assim também nós hoje o experimentamos. Em nosso tempo transparece o grito de João com a pergun­ta: “É o senhor mesmo?”. É você aquele que nós estávamos esperando? É você a cura de todos os males da nossa sociedade?

E Jesus, sem querer dar nenhum espetáculo de rede global, sem querer alie­nar as consciências, responde com os pequenos sinais que estão surgindo no meio do povo: “Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ou­vem, os mortos ressuscitam, e a Boa-Notícia do Evangelho é anunciada aos pobres” (v. 5).

A partir disso podemos nos perguntar: quais são os sinais concretos dentro da nossa realidade, dentro desse nosso mundo tão desesperançoso e que parece não ter mais saída? Ao que Jesus responde: “Felizes os que não duvidam … ” (v. 6). Feli­zes os que não duvidam, os que vêem, ouvem, andam na esperança, ressuscitam para a vida; felizes os que enxergam os pequenos sinais que nos são colocados pe­los movimentos dos sem-terra, pela luta por vida mais digna e humana, pelas asso­ciações de bairros, pelos movimentos de mulheres, pela causa indígena, pelo engajamento por melhores salários, pelos que estão conscientes de sua responsabilidade social e acima de tudo estão comprometidos com o Evangelho libertador de Jesus Cristo. São pequenos sinais de um mundo melhor que tem esperança e que tem saí­da. É o grito, o clamor por mais justiça para todos os seres humanos. Resta para nós a pergunta: Que estou fazendo se sou cristão?

* José Pardinho Souza é filósofo e teólogo, professor de filosofia, história, sociologia e antropologia cultural.

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