sexta-feira, 6 março, 2026
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Por que temos poucos com muito e muitos sem nada?

Se a própria essência de Deus é a bondade, por que existe tanta miséria no mundo? Quem já não viu una criança abandonada? Pois elas existem por aí, aos montes, principalmente nas grandes cidades. São frutos da pobreza e miséria da popula­ção que mora nas periferias dos grandes centros urbanos, vindas do interior, de on­de, de uma forma ou outra, foram expulsas. O menor abandonado, no entanto, tem também um pai e uma mãe, mas como, além de ser fruto da pobreza, é também, na maioria dos casos, fruto da falta de condições – já que uma coisa leva a outra – o pai nem toma conhecimento da necessidade de um planejamento ea mãe por sua vez, ao lutar pela própria sobrevivência, já não encontra tempo nem condições de criar o filho. Na falta de um lar, a rua pas­sa a ser o lugar onde estas crianças vão crescer. O que se pode esperar de uma crian­ça que, além de não ter lar, não ter família, não ter um pai e uma mãe presentes em sua vida, ganha a praça de uma grande metrópole como “habitat”? A resposta não é difícil, é só ler as páginas policiais de qualquer jornal. Elas não sabem onde estão, nem para onde correr, nem para onde fugir.

Quem já não viu ou ao menos ouviu falar de uma criança que morreu de sub­nutrição? Pois é verdade que milhares de crianças morrem de fome todos os dias. Milhares de crianças não recebem alimentação suficiente e por isso, se sobreviverem, terão mais tarde deficiencias tais que as tornarão marginais de todo e qualquer pro­jeto de desenvolvimento.

Quem já não viu ou ao menos ouviu falar de uma criança que tenha morrido por falta de assistência médica? Isso também ocorre diariamente, não só nas gran­des cidades, mas também nas pequenas, e parece que já nem se liga muito para o fato.

Pois bem, o abandono, a fome e a falta de assistência médica eliminam milhares de crianças diariamente, e nós encaramos isso com certa naturalidade.

Alguém já viu, por acaso, um bezerro abandonado? Eu nunca vi um terneiro que não tivesse dono. No meu município, o poder público presta um serviço que julga ser bom e importamte: que consiste em colocar um veterinário com veículo à disposição das pessoas interessadas, para o pronto atendimento de animais doentes. Não se pode criticar esse serviço, mas chega a ser irônico que nesse mundo de ho­je dá-se mais atenção para um animal doente ou subnutrido do que à própria pessoa humana. Certamente que o poder público não se furtaria de levar, também, um mé­dico para atender as pessoas doentes num recanto qualquer do município. Mas isso se­ria eventual, extraordinário, Para o atendimento aos animais o serviço é regular!

Mas que mundo é esse? Será que dá para consertar?

* Filósofo e Teólogo – professor de filosofia, antropologia, história e sociologia.
pardinhorama@gmail.com

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